“Sacerdote, quem és?” Dom Dulcênio na Missa dos Santos Óleos

A quinta-feira Santa na Diocese de Campina Grande, sempre costumava começar com a Missa dos Santos Óleos em que reunia o Clero Diocesano e Religioso e o povo de Deus, numa das mais belíssimas celebrações, contudo, este ano a celebração foi diferente. Na Catedral de Nossa Senhora da Conceição estiveram, O Bispo Diocesano Dom Dulcênio Fontes de Matos, pouquíssimos seminaristas, alguns Diáconos e alguns membros do Conselho Presbiteral que representaram os demais sacerdotes na Missa da renovação das promessas sacerdotais, nesta quinta (09).

A Missa que foi transmitida pelos meios de comunicação, certamente acompanhada à distância pelos padres, os quais participaram desta celebração e renovaram o seu Sim ao chamado que se dispuseram, refletiram nas palavras do seu reverendo pai e pastor, o Bispo, que perguntou em sua homilia: “Sacerdote, quem és?”, ao tempo, em que juntamente com o povo rezaram na celebração, onde o Bispo abençoou os Óleos dos Catecúmenos, dos Enfermos e consagrou o Óleo do Crisma.

Ao final da celebração o Vigário Geral da Diocese, o Padre Luciano Guedes apresentou à comunidade o Diretório dos Sacramentos que tem por objetivo nortear, de acordo com a legislação canônica e a realidade diocesana, a condução, aplicação e celebração dos sacramentos de maneira em que as pessoas que buscam ou frequentam as paróquias possam ser bem acolhidas, cuidadas e evangelizadas. O Diretório trata dos sete sacramentos em sua fundamentação teológica, diretrizes canônicas e orientações pastorais.

A Homilia

A princípio, Dom Dulcênio recordou os primeiros cristãos que viviam apreensivos, mas não deixavam de ser fiéis ao Cristo e sempre estavam unidos em oração: “Neste ano, vivemos a experiência dos primeiros cristãos trancafiados nas catacumbas. Boa parte dos meus filhos sacerdotes estão a acompanhar-nos espiritualmente, enquanto confinados, rezamos em comunhão presbiteral com o Bispo. Que dor! Alguns deles, no primeiro ano de sua novel vida ministerial… Mas estamos aqui, porque, como nos diz Santo Inácio de Antioquia: “Onde está o Bispo, aí está toda a Igreja”. Todo o meu presbitério está aqui – ainda que pela espiritualidade da comunhão -, mas está aqui”! Disse o Bispo.

Acerca de sua pergunta: “Sacerdote, quem és”? Uma pergunta que provoca muitas reflexões, em tempos em que as igrejas se encontram fechadas, sem a participação dos fiéis nos sacramentos, dias de tensão, mas dias fé e esperança. Lembrava o Bispo de Campina Grande, casos heroicos de Padres que se arriscam em dá a vida por suas ovelhas, a exemplo do sacerdote italiano, Giuseppe Berardelli, que ofereceu o seu respirador doado pelos seus paroquianos para salvar a vida de um jovem.

“Há padres que se aventuram em levar consolo e esperança sem olhar a quem, e, nisto, acabam sendo contagiados pela peste que assola o mundo; curas de almas que não ficam de braços cruzados, mas inovam na evangelização, achando métodos para estarem próximos àqueles que o Bom Pastor lhes confiou como filhos; tantos e tantos demonstrativos de amor, de renúncia, de zelo por aquilo que é causa de Deus: a Sua Santa Igreja”. Lembrou.

Dom Dulcênio ainda lembrou de que toda essa semana Santa será um gesto de imolação pelo povo, falou também que os seus padres cumprirão sua missão de ser um outro Cristo, assim, dirigindo-se aos padres disse-lhes:

“Cada um, chamado na sua história de vida, com contextos diferentes, foi escolhido por Deus para continuar, com todo o seu ser entregue – e transformado em Cristo pelo Sacramento da Ordem – a obra mesma de salvação, operada por Cristo Sumo e Eterno Sacerdote, no altar da Cruz. Porém, mesmo com magna missão, com o ser transmutado no de Cristo Sacerdote, pessoalmente falando, o homem-sacerdote é rodeado de fraquezas. Mas, num espírito de constante conversão, deve-se moldar à santidade do próprio Senhor que o chamou”. Destacou.

Ainda tratou de conscientizar que o Padre é o homem do Altar, aquele que por meio de suas mãos leva Jesus ao povo: “É na celebração eucarística que o ser sacerdotal do Padre se realiza mais grandemente. Percebam: as palavras do Senhor se tornam suas; os gestos de Cristo, igualmente seus. E, de fato, na Eucaristia manifesta-se plenamente Deus, que vem à terra pelas mãos e voz do sacerdote”.

O Bispo de Campina Grande ainda trouxe ensinamentos de um Bispo Francês do século XIX, Luís Gastão de Ségur, que falou do papel do Sacerdote: “Ele é o homem de todos; o seu coração, o seu tempo,  a sua saúde, os seus cuidados, a sua carteira, a sua vida, pertencem a todos; e principalmente aos pequenos, aos meninos, aos pobres, aos desvalidos, aos que choram, e que não têm amigos. Ele nada espera em troca desta dedicação; e ordinariamente só recebe insultos, calúnias abomináveis e maus tratamentos. Porém, como verdadeiro discípulo de seu divino Mestre, só lhes responde continuando a fazer bem”. Parafraseou.

E por fim, falou com o seu coração de Pai, Pastor, aquele que sabe o importante papel deu se presbitério na missão da Igreja: ” O sacerdote sempre foi importante, não somente para o seio da Santa Igreja, mas para todo o mundo. Quanto mais hoje: neste mundo doente em diversos aspectos, a figura do sacerdote é imprescindível, porque age na própria pessoa de Cristo Sacerdote, trazendo-O do Céu à terra, concedendo a Sua paz.”

E concluiu: “Caro padre, o seu valor está no Cristo. Você está neste mundo para o Céu, faz-Lhe as vezes, porque é um outro Cristo. E isto nos basta, sendo-nos sumamente suficiente! Desejo-lhe um santo, profícuo e heroico ministério sacerdotal, ao que agradeço a Deus pela sua incansável cooperação à nossa Ordem Episcopal”! Findou.

Toda homilia pode ser conferida clicando aqui

Por: Ascom
Fotos: Rafael Augusto

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