Fonte: Tv Paraíba

Os 250 anos da Matriz – O Relógio da Matriz

A catedral em 1949 Foto: Extraída do Blog CGRetalhos Coleção particular de Lêda Santos de Andrade

Contar os dias e as horas é percepção e necessidade dos humanos.  Sentir que a vida humana e seus acontecimentos estão imersos no ritmo do tempo que por si mesmo faz algumas coisas permanecerem e outras transformarem-se.  Na história do Ocidente cristão, nossas vilas e cidades foram notadamente marcadas pela presença dos relógios públicos; em geral, de iniciativa da Igreja Católica em seus organismos diversos, como os mosteiros, as matrizes, os colégios.

Hora do trabalho, hora da oração, hora do lazer, hora do descanso. Com o advento da Modernidade, os velhos relógios foram bem utilizados no processo de desenvolvimento e expansão das cidades, uma vez que se tornou imperativo a racional utilização do tempo para os ditames do progresso e da produtividade. Sem relógios visíveis e bem regulados o mundo padeceria no atraso, conforme a concepção da eficiência e do trabalho.

Assim deu-se a chegada do relógio da Matriz em Campina Grande. A Igreja Matriz, totalmente reconstruída a partir de 1887 pelo engenho do Monsenhor Sales, carecia desse equipamento e valor bem no alto de sua imponente torre.

No ano de 1891, a crise política na recente república brasileira destituiu os Conselhos de Intendência nos municípios. Em Campina Grande, os intendentes Cristiano Lauritzen, Belmiro Barbosa Ribeiro e Ildefonso de Brito Souto Maior, decidiram empregar o saldo sob sua administração numa obra de interesse público. A doação tinha um fim especifico: aquisição na Europa de um relógio moderno com mostradores e provido de carrilhão, o qual deveria ser colocado na torre esquerda da igreja, direcionado para a parte sul da cidade com maior habitação e residências.

Dessa maneira, o Vigário Sales encomendou o relógio na Alemanha e intensificou as obras de levantamento das torres, que somente ficaram concluídas, como as vemos hoje, em meados de 1896. A inauguração do relógio aconteceu em 16 de agosto, trazendo a população campinense ao largo da Matriz, onde curiosa, ouvia atentamente o girar dos ponteiros e as primeiras pancadas.

O citado relógio trabalhou durante décadas, sendo o principal orientador dos moradores da cidade.  Por ele foram regulados os relógios particulares, de bolso e de parede, e por ele se guiaram os mais humildes do povo. Os que não tinham relógio, para evitar o inconveniente de atrasar os mais apressados para seus afazeres e negócios, perguntando-lhes  a hora,  recorreram ao relógio  da Matriz, sinal de que os homens todos são provisórios por mais nobres que pareçam suas múltiplas atividades.

Elpídio de Almeida, na obra História de Campina Grande (1962) observou a sua paralisação num dado instante e sugeriu que por ocasião do centenário da cidade, este instrumento que tanto servira aos campinenses jamais poderia ficar abandonado, esquecido ou inútil. Embora já dispensável os seus serviços, tratava-se muito mais de um símbolo, permanência de um significado.  Diz-nos o mesmo autor, que das “raras relíquias vindas do século XIX, sobreviveu o relógio”.

Para celebrar os 250 anos da Igreja Matriz, o relógio não pode e não deve deixar de contar o tempo. Precisamente agora, momento este que nos lembrará das sagradas horas do dia oito de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição, ocasião em que ritualmente  faremos memória deste marco fundacional de nossa cidade.

 

Pe. Luciano Guedes do Nascimento Silva

(Pároco da Catedral e Vigário Geral)

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