Foto: Boulanger Uchoa. História Eclesiástica de Campina Grande (1962)

Os 250 anos da Matriz – O Dispensário São Vicente de Paulo

Chegamos ao oitavo artigo do Padre Luciano Guedes, que tem contado fatos que marcam os 250 anos da Igreja Matriz e da sua importância à história de Campina Grande. Neste artigo o Reverendo Vigário Geral da Diocese de Campina Grande, traz uma história em torno do “Dispensário São Vicente de Paulo”, você já ouviu falar? Sabe do que se trata? Eis um convite ao deleite histórico por meio deste artigo.

Boa Leitura!

 

O Dispensário São Vicente de Paulo

O socorro aos desamparados pela Igreja em Campina Grande vem de longas datas.  Foi fundada aqui em 1912 a obra “Deus e Caridade”. Tratava-se de uma sociedade beneficente para acudir os indigentes de toda sorte. Funcionou provisoriamente à Rua Treze de Maio, depois na Rua Irineu Joffily e finalmente teve sede própria construída no patrimônio da Igreja do Rosário, precisamente atrás desta, à Rua da Cadeia.

Em 1925 havia 360 sócios contribuintes. Eram cidadãos abnegados, ocupados com a causa do bem e da solidariedade. Forneciam alimentos, remédios, meios de transportes para os hospitais da Paraíba e do Recife.

Em 1929 foi iniciada, através desta sociedade, a construção do “Asilo de Mendicinidade Deus e Caridade” às margens do Açude Velho. A década de 1930 era marcada por grande seca em toda Paraíba. A cidade de Campina Grande foi abrigo para muitos infelizes advindos de localidades extremas e diversas. Daí a alma campinense ter sido   forjada como hospitaleira por abrir caminhos para o recomeço de muitas pessoas aqui chegadas.

Os famintos multiplicavam-se com a estiagem prolongada em todo centro do Estado. Sensibilizado com tamanha desassistência e miséria, o vigário da Matriz, o Cônego José de Medeiros Delgado, com o auxílio dos vicentinos da paróquia, instalou em 1931 o Dispensário de São Vicente de Paulo, conhecido como o “Dispensário dos Pobres”.

A partir de 1936, o Padre Delgado, mantendo entendimentos com o Arcebispo Metropolitano, Dom Moisés Coelho e a Madre Superiora, Irmã Antoniette Blanchet, Provincial em Recife das Filhas de São Vicente de Paulo, solicitou a vinda destas para dirigir o Dispensário dos Pobres em Campina Grande.

Com a chegada das Filhas de São Vicente de Paulo – sendo inicialmente quatro irmãs – e aprovação da assembleia geral, a instituição de caridade passou a ser dirigida pelas religiosas, como permanece até os nossos dias. Além dos cuidados com os idosos, o Asilo ampliou em todas estas décadas a assistência às famílias carentes, à infância e à profissionalização com o apoio da sociedade campinense e dos entes governamentais, tornando-se um farol de graça e de misericórdia que marca a nossa história eclesial.

Ao prepararmos a celebração dos 250 anos da Igreja Matriz de Campina Grande faz-se importante recontar esse caminho feito por muitos corações inflamados de amor ao evangelho e à causa dos esquecidos.

Escutemos nosso Senhor Jesus Cristo na narrativa do último julgamento: “Vinde benditos do meu Pai, recebei por herança o Reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Pois tive fome me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e me acolhestes. Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e vieste ver-me” (cf. Mt 25,34-36). Por todos estes que plantaram a Igreja e sua obra redentora nesta cidade, o nosso reconhecimento e gratidão!

 

Pe. Luciano Guedes do Nascimento Silva
Vigário Geral e Pároco da Catedral

Foto: Boulanger Uchoa. História Eclesiástica de Campina Grande (1962)

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