XIX Domingo do Tempo Comum: Missa na Catedral e na Festa da Padroeira em Lagoa Seca

Postado em 09/08/26 às 22:0019 minutos de leitura13 views

A Igreja no Brasil celebrou neste domingo, 9 de agosto, o 19º Domingo do Tempo Comum, dentro da vivência do Mês Vocacional. Neste segundo domingo de agosto, a Igreja voltou o olhar para a vocação familiar, celebrando também o Dia dos Pais. Dom Dulcênio Fontes de Matos, o Bispo Diocesano de Campina Grande, presidiu duas celebrações: pela manhã, na Catedral Diocesana de Nossa Senhora da Conceição, e, à noite, durante o novenário da Festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Lagoa Seca.

Na Catedral, o prelado presidiu a tradicional Missa do Lar, concelebrada pelo Pároco, Padre Evanilson Sousa. Logo no início, o bispo acolheu o sacerdote em sua primeira celebração dominical com a comunidade após a posse como Pároco da Igreja Mãe da Diocese. Também dirigiu uma palavra especial aos pais presentes e aos que acompanhavam a celebração pelas transmissões, destacando o senhor Bio, membro da comunidade, que completará 92 anos nesta segunda, 10. Em nome dele, Dom Dulcênio parabenizou todos os pais e convidou a assembleia a colocar no Altar do Senhor seus pais, tanto os que estão vivos quanto aqueles que já partiram.

A celebração também foi marcada pelo convite à participação na Caminhada das Famílias, que encerrará a Semana Nacional da Família no próximo domingo, 16 de agosto. Dom Dulcênio reforçou que o encontro deve reunir não apenas marido e mulher, mas todos os membros da família: filhos, netos, avós, tios e demais familiares. A concentração será às 14h, no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, no Catolé, seguindo para a Catedral, onde será celebrada a Santa Missa às 16h30.

Ao final da celebração, Padre Evanilson agradeceu a Dom Dulcênio pela confiança para assumir a missão na Igreja Mãe e pediu a colaboração de toda a comunidade para que, juntos, possam dar continuidade ao trabalho evangelizador desenvolvido na Catedral.

Homilia

Dom Dulcênio destacou que Deus nunca se esquece de seus filhos, mesmo quando o homem se esquece d’Ele. A liturgia, celebrada no Dia dos Pais, levou o bispo a refletir sobre a paternidade divina, marcada pelo cuidado, pela fidelidade e pela presença constante.

“Queira o homem ou não, todos devíamos nos recordar: Deus nunca se esquece de nós; nunca nos abandona. E por mais que uma profecia tenha comparado o Seu amor e o Seu cuidado para conosco como superior aos de uma mãe (cf. Is 49,15), nas Escrituras Sagradas, revela-Se, constantemente, como Pai”, destacou.

Ao recordar o profeta Elias, o bispo ressaltou que Deus nem sempre se manifesta nos acontecimentos grandiosos, mas também no silêncio, como na “brisa suave”. Para reconhecer Sua presença, é preciso aquietar o coração e confiar: “Só se vê bem com o coração pela fé.”

“Só se vê bem com o coração pela fé. Desta forma, Elias ficou suscetível no corpo para abandonar-se no coração a Deus. Por isso, com o rosto coberto, vai à entrada da gruta, para estar com Deus porque, naquela peregrinação de fé, sabia em Quem havia de pôr a sua confiança, tal como uma criança que se joga nos braços do seu pai. O Senhor, clamando nós ou não por Ele, sempre nos mostra a Sua bondade, sempre nos concede a Sua salvação (cf. Sl 84,8); Ele é fiel”, disse.

No Evangelho, a tempestade enfrentada pelos discípulos foi apresentada como imagem das dificuldades da vida. Jesus vai ao encontro deles e diz: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”. A experiência de Pedro mostra que a fé precisa superar os medos e as inseguranças para se tornar mais firme.

“No sentido espiritual, a noite é a hora das dificuldades; é a hora que muito exige de nós, principalmente uma escolha: Deus ou a fraqueza. E por que não unir esses dois elementos? Esta é a vontade de Deus: que enfrentemos as nossas fraquezas com Ele, na Sua força, sentindo a Sua assistência sempre clarividente. Caso contrário, gritaremos em vão; veremos inverdades…”, pregou.

Ao concluir, Dom Dulcênio lembrou que não devemos temer as tempestades, mas deixar de reconhecer Deus em meio a elas. Assim como os discípulos, somos chamados a professar nossa fé e confiar naquele que permanece presente e fiel.

“Os discípulos aprenderam a lição da fé e reconheceram Jesus Deus, por isso, “prostraram-se diante dele, dizendo: ‘Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!’” (Mt 14,33). Oxalá, aprendamos também nós, esta lição. Não temamos as borrascas por elas mesmas; antes, temamos não enxergar, por nossa própria culpa, a presença e o cuidado de Deus continuamente na nossa vida; Ele que, como um pai, dos Seus filhos não se esquece”, concluiu.

Missa na Festa de N. S. do Perpétuo Socorro, em Lagoa Seca

À noite, Dom Dulcênio seguiu para Lagoa Seca, onde presidiu a terceira noite do novenário em preparação para a Festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, padroeira da cidade. A celebração foi concelebrada pelo Pároco, Padre Aparecido Camargo, e reuniu a comunidade paroquial dentro das comemorações pelos 75 anos de criação da paróquia, celebrando uma história construída por gerações que rezaram, serviram e mantiveram viva a fé nesta terra.

A noite do novenário foi dedicada à Pastoral Litúrgica, grupos de canto, Pastoral da Acolhida, coroinhas, ministros extraordinários da Sagrada Comunhão e funcionários públicos. Em sintonia com o segundo domingo do Mês Vocacional e com o Dia dos Pais, Dom Dulcênio também convidou a comunidade a elevar suas orações pelos pais, reconhecendo na família um espaço privilegiado de amor, cuidado, serviço e transmissão da fé.

A Festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro teve início no dia 7 de agosto e segue até o dia 16, quando a comunidade paroquial se reunirá para celebrar solenemente sua padroeira. Ao longo desses dias, o novenário conduz os fiéis por um caminho de preparação espiritual, renovando a fé e fortalecendo os laços de uma comunidade que, há 75 anos, encontra na proteção de Nossa Senhora uma referência para continuar sua caminhada.

Homilia

Dom Dulcênio refletiu sobre a presença constante de Deus e questionou como os cristãos têm percebido essa presença. A partir de Elias e dos discípulos, destacou que Deus permanece próximo, mas nem sempre se manifesta como esperamos.

Ao meditar sobre Elias, que encontrou Deus no murmúrio de uma leve brisa, o bispo ressaltou que é necessário silêncio e atenção para perceber a ação divina. O profeta ensina a permanecer vigilante diante de Deus.

“Muitas coisas e situações podem apresentar-se, em vão, como Deus… Cuidado! A presença do Senhor é inequívoca; se O buscamos, Ele não Se esconde de nós. Apresentando-Se - ainda que para outros não o seja - o faz claramente. Basta que estejamos de prontidão, alertas. "Ouvindo isto [o murmúrio da brisa], Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da gruta" (1Rs 19,13a)”, ressaltou.

No Evangelho, a tempestade dos discípulos foi apresentada também como expressão de suas inquietações. Jesus vai ao encontro deles, mas não é reconhecido. Para Dom Dulcênio, muitas vezes o problema não está na ausência de Deus, mas na dificuldade humana de perceber Sua presença.

“A falta de clarividência não é culpa Daquele que sempre Se apresenta, mas é nossa, que não O reconhecemos, ainda que nos diga "Sou Eu". Pedro quis condicionar Deus. Quantas condições impomos Àquele que nos basta. Queremos, em tantas vezes, pôr Deus à prova. Ao pedido de Pedro de ir ao Seu encontro, o Cristo, que vinha ao encontro dos Seus, diz "Vem!". A iniciativa sempre é de Deus. Se podemos ir até o Senhor é porque Ele já veio em nossa direção”, pregou.

Ao concluir, Dom Dulcênio lembrou que Deus sempre toma a iniciativa de se aproximar do homem. Mesmo diante da fragilidade de Pedro, Jesus estende a mão e o salva. A experiência dos discípulos recorda que somos chamados a reconhecer e adorar Cristo em todas as circunstâncias.

“O Senhor nunca nos deixa à mercê de nossa própria sorte, que nosso azar... O que nos cabe é, em todas as circunstâncias, principalmente quando a nossa fé é inquirida, adorarmos Deus e reconhecê-Lo, pois está conosco todos os dias, até o final dos tempos (cf. Mt 28,19), como Ele mesmo nos garantiu; Ele, que é fiel”, findou.

Por: Ascom
Fotos: Pascom (Catedral e Lagoa Seca)



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