Bispo Preside Missa pelos 25 Anos da Fazenda do Sol e dá Posse ao Novo Reitor do Santuário da Divina Misericórdia
Marcado pelas parábolas do Reino dos Céus proclamadas na liturgia
do XVI Domingo do Tempo Comum, Dom Dulcênio Fontes de Matos, Bispo Diocesano,
presidiu duas celebrações que expressaram a ação misericordiosa da Igreja: pela
manhã, a Santa Missa em ação de graças pelos 25 anos da Fazenda do Sol, obra
dedicada à recuperação de dependentes químicos; e, à tarde, a Santa Missa com o
rito de posse do Padre Allan Rafael, CRL, como novo reitor do Santuário da
Divina Misericórdia, em Campina Grande.
A primeira celebração aconteceu na Capela de Nossa Senhora do
Carmo, localizada nas dependências da Fazenda do Sol, às margens da BR-230. A
Santa Missa em ação de graças reuniu os internos, familiares, colaboradores,
voluntários e membros da comunidade para agradecer pelos 25 anos da
instituição, que se tornou referência no acolhimento voluntário de jovens e
adultos em situação de vulnerabilidade social e em processo de recuperação da
dependência química. Concelebraram a Eucaristia o Padre Sérgio Leite,
responsável pela Fazenda do Sol, e Pe. Mauro, que visita a cidade, com a
assistência litúrgica do diácono Marcelo e dos seminaristas.
Sobre a Fazenda do Sol
Foi inaugurada no dia 16 de julho de 2001, dia de Nossa Senhora do
Carmo, a partir da Campanha da Fraternidade do mesmo ano, que teve como lema
“Vida Sim Drogas Não”.
O processo de recuperação dos acolhidos é baseado em três pilares:
Oração, Trabalho e Convivência. Esse conjunto é observado na rotina da Fazenda,
que conta com reuniões de oração na capela construída no local, com o terço e a
partilha da palavra diária; os acolhidos também se revezam na realização de
atividades no local, como cuidar das hortas, do jardim, da roça e outras
atividades agrícolas, além da produção de biscoitos, que tem suas vendas
revertidas para manutenção do espaço.
Completando 25 anos, a Fazenda do Sol já transformou a vida de
mais de 2.000 homens, reintegrando-os às famílias e a sociedade.
O acolhimento voluntário, com permanência de 12 meses, conta com
rotina com horários específicos que envolvem atividades coletivas, momentos de
oração (terço, missa, catequese), Terapia Ocupacional como jardinagem, oficinas
e capacitações profissionais, além de momentos de convivência entre os próprios
acolhidos, família, equipe e comunidade.
Homilia
Dom Dulcênio destacou que as parábolas do Evangelho revelam o
Reino de Deus como uma semente lançada no coração humano, chamada a produzir
frutos no mundo. O cristão, afirmou, é convidado a testemunhar Cristo, permanecendo
fiel.
“Esta semente recebida no nosso coração é depositada na terra do
mundo através de nós, como portadores da semente, ou - quiçá - sementes da
Semente-Cristo, que quer germinar no nosso coração por primeiro. Percebam: que
“quer” germinar. Este querer de Deus vem expresso, desde o Evangelho anterior a
este, pela conjugação do verbo “semear”, manifestando que nada é feito por Deus
ao acaso ou como incidente”, destacou.
Ao celebrar os 25 anos da Fazenda do Sol, o bispo relacionou a
obra à parábola do grão de mostarda. O que começou de forma simples tornou-se
um lugar de acolhida e reconstrução de vidas, mostrando que Deus continua
semeando esperança por meio da caridade.
“Tudo começou pequeno, quase imperceptível, mas a fidelidade ao
projeto fez crescer uma árvore que hoje abriga tantas vidas. Assim, meus
irmãos. acontece com o Reino de Deus: Ele transforma pequenas iniciativas em
sinais concretos da sua presença. A Fazenda do Sol tornou-se um lugar onde Deus
faz florescer novamente a dignidade humana e reacende a esperança em famílias
que acreditavam ter perdido seus filhos, maridos...”.
Dom Dulcênio também refletiu sobre o joio e o trigo, lembrando que
Deus não define a pessoa por seus pecados, mas pela possibilidade de conversão.
Na Fazenda do Sol, explicou, a oração, o trabalho e a convivência fraterna
conduzem a um caminho de restauração da vida.
“Deus semeou boa semente em cada pessoa. Ninguém nasceu para ser
escravo das drogas, do álcool ou de qualquer dependência. O vício é o joio que
o inimigo lança na história humana. Entretanto, Deus nunca identifica uma
pessoa pelo seu pecado. Ele enxerga o trigo que ainda pode amadurecer. Por
isso, esta casa não acolhe homens perfeitos; acolhe homens que precisam
redescobrir a beleza da vida e a força da graça”, refletiu.
Concluindo, o bispo afirmou que Cristo é o verdadeiro Sol que
ilumina esta missão. Celebrar os 25 anos da Fazenda do Sol é reconhecer uma
obra da misericórdia de Deus, onde muitos reencontram a liberdade, a esperança
e a vida nova no Evangelho.
“Celebrar estes vinte e cinco anos é reconhecer que a Fazenda do
Sol não é simplesmente uma obra social. Ela é uma expressão concreta da
maternidade da Igreja. Que esta celebração renove em todos nós a certeza de que
Deus continua semeando boa semente no mundo. E que a Fazenda do Sol permaneça
sendo este campo abençoado onde, pela força do Evangelho, pela intercessão de
Nossa Senhora do Carmo e pela dedicação de tantos benfeitores, voluntários e
missionários, muitos homens possam continuar deixando para trás o joio da
escravidão para produzir os frutos abundantes da liberdade, da dignidade e da
vida nova em Cristo”, concluiu.
Posse do Padre Allan no Santuário da Divina Misericórdia
À tarde, Dom Dulcênio seguiu para o Santuário da Divina
Misericórdia, no bairro dos Cuités, em Campina Grande, onde presidiu a Santa
Missa com o rito de posse do novo Reitor, Padre Allan Rafael, CRL. Na ocasião,
o bispo confiou oficialmente o Santuário aos Cônegos Regulares Lateranenses de
Campina Grande, marcando um novo tempo na missão pastoral daquele espaço de
intensa peregrinação e devoção.
Com o Santuário completamente lotado, Padre Allan Rafael agradeceu
a confiança do bispo e manifestou sua disposição em servir aos fiéis que
procuram diariamente aquele lugar de oração e encontro com a Misericórdia de
Deus. Em sua saudação, Dom Dulcênio agradeceu ao Padre Paulo Sérgio pelos mais
de sete anos dedicados à condução do Santuário e desejou ao novo reitor um
ministério fecundo, recordando que a missão da Igreja floresce quando é vivida
com fidelidade, acolhimento e espírito de serviço.
Homilia
Dom Dulcênio destacou que as parábolas revelam o amor de Deus como
a força que sustenta o Reino. Mais do que um sentimento, esse amor se manifesta
na misericórdia e orienta a vida do cristão.
“Vemos, pois, que a onipotência de Deus, o Seu grande poder,
comporta a capacidade de ser amor-misericórdia. E a partir deste fator,
reconhecemos outros atributos de Sua bondade. O amor do Senhor fala de Sua
fidelidade, tal como cantávamos no refrão do Salmo: “Ó Senhor, vós sois bom,
clemente e fiel” (Sl 85,5a)”, iniciou.
O bispo explicou que a paciência do dono do campo, que permite
crescer juntos o trigo e o joio, revela o modo como Deus conduz a história.
Assim também, a semente de mostarda e o fermento mostram que o Reino cresce de
forma discreta, mas eficaz.
“Deus fala-nos da Sua paciência, retratada no Evangelho deste XVI
Domingo Comum pela figura da paciência do dono do campo que, mesmo sabendo que
o joio havia sido misturado perversamente ao trigo, espera o crescimento de
ambos; ou mesmo daquele que plantou a semente de mostarda na expectativa de ver
uma grande árvore não obstante a pequenez da semente cultivada; ou ainda da
mulher que espera a massa fermentar”, disse.
Dom Dulcênio ressaltou ainda que o amor divino é prudente e justo,
oferecendo sempre espaço para a conversão. Por isso, os cristãos são chamados a
refletir, em suas atitudes, o modo de agir do próprio Deus.
“A onipotência misericordiosa é fiel, por isso paciente, prudente
e justa. Isto nos inspira a que nos esforcemos, desde já como em estados de
urgência e necessidade, a tentarmos viver a vida de Deus em nós, copiando-Lhe
tais atitudes na nossa capacidade de amar. Se desta forma nos esmerarmos,
seremos mais humanos, tal como disse a Primeira Leitura: “Assim procedendo,
ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano” (Sb 12,19); e, sendo humano,
faremos valer a nossa condição de imagem e semelhança de Deus, porque, como
Ele, somos capazes de amar”, pregou.
Ao concluir, o bispo afirmou que viver essas virtudes é antecipar
os valores do Reino dos Céus. A fidelidade ao Evangelho faz do cristão um sinal
do amor de Deus e o conduz à promessa da vida eterna.
“Ser justo é, pela vida de fé, copiar e propagar o amor de Deus em
todas as nossas atitudes. É ter os mesmos sentimentos de Deus por uma comunhão
com Ele iniciada nesta vida que ruma à plenitude desta mesma comunhão no céu,
porque garantiu-nos o Senhor na conclusão do Evangelho de hoje: “Então os
justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça” (Mt
13,43)”, findou.
Por:
Ascom
Fotos: Pascom (Fazenda do Sol e Santuário)





























































