Jubileu de Prata: Dom Dulcênio Celebra 25 anos de Episcopado

Atualizado em 17/06/26 às 01:4415 minutos de leitura58 views

Há exatos 25 anos, na Catedral de Nossa Senhora de Guadalupe, em Estância, Sergipe, Dom Dulcênio Fontes de Matos recebia a plenitude do sacramento da Ordem e era sagrado bispo da Igreja. Iniciava-se ali uma caminhada marcada pela entrega, pelo serviço e pela dedicação ao anúncio do Evangelho, uma missão que, ao longo de mais de duas décadas, alcançou inúmeras vidas e comunidades por meio do seu ministério episcopal.

Nesta terça-feira, 16 de junho, a Diocese de Campina Grande reuniu-se para render graças a Deus pelo Jubileu de Prata Episcopal de seu pastor. A solene celebração aconteceu no estacionamento do Seminário Diocesano São João Maria Vianney, no bairro do Alto Branco, em Campina Grande.

Vivendo atualmente seus quase 9 anos à frente da Diocese de Campina Grande, Dom Dulcênio celebrou este marco significativo cercado pelo carinho do povo de Deus e pela presença de muitos irmãos no episcopado, vindos de diferentes estados do país e das dioceses que compõem o Regional Nordeste 2 da CNBB. Entre os presentes estiveram o Arcebispo Metropolitano da Paraíba, Dom Delson Pedreira da Cruz, e o Vice-presidente do Regional Nordeste 2, Dom Antônio Carlos Cruz Santos, além de diversos bispos que se uniram a este momento de gratidão e comunhão eclesial.

A celebração também contou com a participação do clero diocesano, de sacerdotes convidados de outras dioceses, diáconos, seminaristas, religiosos e religiosas, e a família do bispo que se uniram em oração para agradecer pelo testemunho de fé e serviço de Dom Dulcênio ao longo destes 25 anos de ministério episcopal.

Sob o lema episcopal “Para a vida do mundo”, Dom Dulcênio segue testemunhando a presença de Cristo Bom Pastor, conduzindo a Igreja Particular de Campina Grande com zelo, proximidade e espírito missionário, tornando visível, através de sua vocação, a fidelidade de Deus que continua a agir na história por meio daqueles que se colocam a serviço do Evangelho.

Homilia

A homilia foi proferida por Dom Delson Pedreira da Cruz, Arcebispo da Paraiba, onde destacou que os 25 anos de episcopado de Dom Dulcênio são motivo de ação de graças pela fidelidade de Deus e pela resposta generosa do bispo ao chamado de Cristo.

“Rendamos graças a Deus pelos 25 anos de ministério episcopal de Dom Dulcênio Fontes de Matos. O episcopado é um dom muito especial: ser enviado por Jesus Cristo é ser apóstolo do Senhor. Jesus mesmo o chamou, e solícito, Dom Dulcênio disse SIM, eis-me aqui. Disse sim para o ministério sacerdotal e, amadurecido e bem formado, disse sim para o ministério episcopal”, iniciou.

Refletindo sobre a figura do rei Davi, apresentada na liturgia, Dom Delson lembrou que Deus realiza grandes obras por meio de pessoas marcadas pela fragilidade humana. Segundo ele, a vida de Dom Dulcênio testemunha essa verdade.

“A leitura de Samuel, da presente liturgia, coloca a unção divina acima da contingência humana. Deus ungiu Davi e o fez o grande Rei de Israel, mas não tirou dele sua humanidade, sua fragilidade, sua fraqueza. Quem é humano, continua portador da sua natureza humana, mas a graça divina suplanta as limitações da sua humanidade e o faz instrumento do seu plano de amor. Deus não tirou de Davi a unção que lhe tinha dado, apesar do seu grave pecado”, refletiu.

O Arcebispo também ressaltou a dimensão profética do episcopado, destacando a dedicação de Dom Dulcênio à pregação do Evangelho, ao cuidado com os sacerdotes, à formação no seminário e à proximidade com as comunidades.

“Dom Dulcênio também é Profeta como Natã. Ser profeta não é fácil. Natã foi ao Rei e disse o que o Senhor tinha mandado. O Bispo diz o que o Senhor ordena, prega o Evangelho da verdade e da paz. Nem sempre é acolhido, mas aqueles que acolhem a palavra do Bispo-profeta e faz penitência, Deus tem Misericórdia”, disse.

Ao concluir, afirmou que a celebração jubilar reconhece tudo o que Deus realizou por meio do bispo diocesano. Comparando sua missão ao “vinho bom”, agradeceu pela generosidade de Dom Dulcênio e pediu que o Senhor continue sustentando seu ministério com alegria, sabedoria e paz.

“Deus realmente faz maravilhas nos seus servos. Jesus continua transformando água em vinho, utilizando o que existe de mais humano, em motivo de alegria, para que a Festa dos Filhos de Deus continue! A Diocese de Capina Grande tem motivos mil para agradecer ao seu Pastor tanta generosidade, entrega, dedicação e muito amor. Certamente, ele se sente muito perdoado por Deus, e por isso ama tanto”, findou.

Alocução de Dom Dulcênio

Destacou que o jubileu não é a comemoração de uma trajetória pessoal, mas a contemplação da ação de Deus em sua vocação. Recordando sua ordenação episcopal em 2001, reafirmou a importância do lema que tem guiado toda a sua missão pastoral.

“Celebrar 25 anos de episcopado não é olhar para uma carreira, mas contemplar um mistério. Ao olhar para trás, sinto-me como aquele jovem padre que, em 2001, recebeu o chamado do Papa São João Paulo II. Eu era, então, o bispo mais jovem do Brasil. A juventude trazia o ardor, mas a graça de Deus trouxe a sustentação. O lema que escolhi, “Pro Mundi Vita” — “Para a Vida do Mundo”, extraído do Evangelho de São João, tem sido a bússola que guiou meus passos por terras sergipanas, alagoanas e, agora, paraibanas”, destacou.

Em sua reflexão, o bispo relembrou as etapas marcantes de seu ministério. Recordou os anos de serviço em Sergipe, como bispo auxiliar de Aracaju, e a experiência vivida em Palmeira dos Índios, em Alagoas.

“Parece que o povo precisava de um rosto jovem que mostrasse que a Igreja está viva, e ali eu me dei, sem reservas, aprendendo que o bispo não é para si, mas um dom para o mundo. De fato, para a vida do mundo! (...) Em Palmeira, o pastor precisou ser aquele que gera vida: cuidei das vocações como quem cuida de um jardim precioso”.

Ao falar sobre Campina Grande, Dom Dulcênio expressou profunda gratidão e carinho pela Diocese. Destacou que foi na Serra da Borborema que encontrou a plenitude de sua missão episcopal, vivendo uma intensa comunhão com o clero e os fiéis.

“Irmãos e irmãs de Campina Grande, é com uma felicidade indizível que celebro este Jubileu de Prata aqui. Se em Aracaju fui servo e em Palmeira fui pai, aqui em Campina Grande o “Pro Mundi Vita” se traduz em entrega total. Ser vosso bispo no Planalto da Borborema é a coroação de uma caminhada onde o carisma do pastor se torna unidade”, falou.

Concluindo sua mensagem, renovou seu compromisso de continuar servindo à Igreja com fidelidade e humildade. Em vez de homenagens, pediu orações para perseverar na missão recebida e confiou seu ministério à proteção de Nossa Senhora da Conceição.

“Ao completar 25 anos de ordenação episcopal, não peço honras. Peço orações para que eu nunca perca o entusiasmo de ser “Para a Vida do Mundo”. O lema que escrevi no brasão há um quarto de século é o mesmo que hoje assino com a minha vida no altar desta Catedral. Peço que o Senhor me dê a saúde e a sabedoria para continuar sendo o Pastor que caminha à frente para guiar, atrás para amparar e no meio para ouvir”, findou.

Homenagens

Representando o Regional Nordeste 2 da CNBB, Dom Antônio Carlos Cruz Santos, vice-presidente do Regional, expressou gratidão pelo testemunho e pela missão exercida por Dom Dulcênio. Em sua saudação, destacou a riqueza de sua experiência pastoral em diferentes realidades eclesiais, recordando sua passagem por Aracaju, Palmeira dos Índios e Campina Grande. Segundo Dom Antônio Carlos, embora seja uma única Igreja, cada diocese possui suas particularidades, exigindo do pastor sensibilidade, discernimento e espírito missionário. Também ressaltou a seriedade com que Dom Dulcênio assume os serviços confiados pela Igreja, recordando sua atuação junto à Pastoral Familiar e, atualmente, na Comissão Regional para a Catequese, sempre desempenhando suas funções com dedicação, responsabilidade e profundo espírito de comunhão.

Em nome dos catequistas, Giselma, ministra da Catequese que recebeu seu ministério pelas mãos de Dom Dulcênio, manifestou gratidão pelo cuidado e incentivo oferecidos pelo bispo à missão catequética. Em sua fala, ressaltou que a celebração reunia toda a Igreja Diocesana para agradecer a Deus pela vida e pelo testemunho de um pastor que tem dedicado à evangelização e à formação da fé do povo de Deus.

Já o Vigário Geral da Diocese, Padre Luciano Guedes, recordou que a Igreja de Campina Grande se reune em um dia de alegria para celebrar os 25 anos de vida episcopal de Dom Dulcênio. Destacou que o jubileu representa uma história marcada pela generosidade, fidelidade e amor à missão recebida de Cristo. Também enfatizou que a expressiva participação dos fiéis na celebração reflete o carinho, a confiança e a comunhão construídos ao longo dos anos entre o bispo e o povo que lhe foi confiado.

Como sinal concreto de gratidão de toda a Diocese de Campina Grande, os Padres Luciano Guedes, Evanilson de Sousa, Ecônomo, Rodolfo Lucena, Chanceler, e José Marcondes, representante do clero, entregaram a Dom Dulcênio um báculo. O presente simboliza o ministério do bispo como pastor que guia, sustenta e cuida do rebanho confiado por Cristo, tornando-se uma expressão visível do reconhecimento e da gratidão da Igreja Diocesana por sua vida doada ao serviço do Evangelho.

Por: ASCOM
Fotos: Pascom Diocesana



Comentários (0)