Formação Permanente do Clero Debate Inteligência Artificial, Ética e Evangelização no Mundo Digital
A Formação Permanente do Clero da Diocese de Campina Grande
promoveu, entre os dias 12 e 14 de maio, um amplo aprofundamento sobre os
desafios éticos, pastorais e antropológicos ligados à Inteligência Artificial e
à cultura digital. O encontro reuniu o Bispo Diocesano, Dom Dulcênio Fontes de
Matos, além de padres e diáconos da Diocese, em momentos de estudo, partilha e
reflexão à luz do Magistério da Igreja, da Doutrina Social e de recentes
documentos publicados pela Santa Sé e por organismos eclesiais internacionais.
A formação foi conduzida pelo Padre Janilson Rolim, da Diocese de
Cajazeiras, que apresentou reflexões sobre os impactos das novas tecnologias na
missão evangelizadora da Igreja e na vida humana, ressaltando a necessidade de
um discernimento ético e pastoral diante das transformações provocadas pela
cultura digital.
Sobre as reflexões
Entre os textos estudados estiveram a nota Antiqua et Nova, do
Dicastério para a Doutrina da Fé e para a Cultura e Educação; o documento “Rome
Call for AI Ethics”; reflexões do CELAM; trechos das futuras Diretrizes Gerais
da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil; além de mensagens do Papa Francisco
e do Papa Leão XIV sobre comunicação, redes digitais e discernimento pastoral.
As reflexões destacaram a preocupação da Igreja diante de uma
cultura digital cada vez mais invasiva, marcada pela lógica dos algoritmos, da
fragmentação das relações humanas e da manipulação das consciências. Os participantes
aprofundaram temas ligados à dignidade da pessoa humana, à liberdade, à
responsabilidade moral e ao perigo de transformar a tecnologia em substituta da
interioridade, da convivência e até mesmo da própria experiência de Deus.
Os estudos recordaram que a Inteligência Artificial pode auxiliar
processos administrativos, educativos e comunicacionais, mas jamais substituir
aquilo que é próprio do ser humano: a consciência moral, a liberdade, a
capacidade de discernimento, o amor, a empatia e a abertura ao transcendente.
Também foi ressaltado que a Igreja rejeita tanto a tecnofobia quanto uma adesão
ingênua e acrítica às novas tecnologias.
Durante a formação, refletiu-se ainda sobre os impactos da cultura
digital na vida espiritual, sobretudo no enfraquecimento da atenção, do
silêncio interior e da profundidade das relações. Em diversos momentos, os
textos apresentados advertiram para o risco de uma sociedade excessivamente
conduzida por algoritmos, fake news, bolhas ideológicas e interesses econômicos
que podem instrumentalizar a pessoa humana.
Outro ponto amplamente abordado foi a missão evangelizadora da
Igreja nas redes sociais. As reflexões insistiram que o sacerdote não deve
ocupar o ambiente digital como celebridade ou influenciador, mas como
testemunha do Evangelho. A presença nas redes, segundo os documentos
apresentados, deve gerar vínculos, favorecer a escuta, despertar reflexão e
conduzir as pessoas ao encontro verdadeiro com Cristo.
A formação também destacou a necessidade de um discernimento ético
contínuo sobre o uso das tecnologias emergentes, especialmente da Inteligência
Artificial, para que a inovação permaneça sempre a serviço do bem comum, da
justiça, da paz e da dignidade humana.
Videoconferência com Pe. Shérmishon Phérikllys
Na parte da tarde deste último dia, os participantes acompanharam
uma videoconferência conduzida pelo Padre Shérmishon Phérikllys, sacerdote da
Diocese de Campina Grande, que atualmente reside em Roma, onde realiza mestrado
em Bioética, com aprofundamento na área da Inteligência Artificial.
Durante sua participação, o sacerdote apresentou reflexões sobre
os impactos e desafios da Inteligência Artificial no campo da bioética,
evidenciando a importância de um olhar ético e humano diante das rápidas
transformações tecnológicas da atualidade.
A conferência também destacou a necessidade de a Igreja estar
atenta às novas realidades trazidas pelo avanço da tecnologia, promovendo um
diálogo entre fé, ciência e sociedade.
Santa Missa em Ação de Graças pelos 77 anos da Diocese
Em meio à programação da Formação Permanente do Clero, todos se
reuniram, na manhã desta quinta-feira, 14 de maio, para celebrar a Santa Missa
em ação de graças pelos 77 anos de criação da Diocese de Campina Grande.
A celebração aconteceu na capela do Centro Diocesano e foi
presidida por Dom Dulcênio que, no início da Santa Missa, destacou a alegria de
celebrar mais um aniversário da Diocese em um momento de comunhão e formação de
todo o clero diocesano.
O Padre Luciano Guedes, Vigário Geral, recordou o significado
histórico do Centro Diocesano para a vida da Diocese de Campina Grande. Segundo
ele, a história da atual casa de formação se confunde com a própria história da
Diocese, já que, apenas um ano após a criação da Diocese, em 1950, foi lançada
e abençoada a pedra fundamental do terreno onde hoje está localizado o Centro
Diocesano, antigo espaço pertencente aos Maristas.
Padre Luciano destacou ainda que celebrar os 77 anos da Diocese
naquele espaço representa um verdadeiro motivo de graça e gratidão a Deus,
sobretudo por se tratar de uma casa voltada à formação do clero e à vivência da
comunhão eclesial. Na ocasião, também expressou agradecimento a Dom Dulcênio
Fontes pelos seus oito anos de pastoreio à frente da Diocese de Campina Grande,
marcados pela dedicação, cuidado pastoral e contribuição para a caminhada
evangelizadora da Igreja Particular.
Homilia de Dom Dulcênio
Dom Dulcênio refletiu sobre a Festa de São Matias e o sentido da
sucessão apostólica na vida da Igreja. Inspirado pela leitura dos Atos dos
Apóstolos, o bispo destacou que a Igreja é sustentada pela fidelidade de Deus e
conduzida pelo Espírito Santo, mesmo diante das fragilidades humanas.
O bispo ressaltou que o chamado apostólico nasce da convivência e
da permanência no amor de Cristo. Ao recordar as palavras do Evangelho, Dom
Dulcênio enfatizou que a vocação cristã é fruto da graça divina e da amizade
com o Senhor.
“Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi’. A
teologia de Matias é a teologia do Amor-Permanência. O comando de Jesus,
“Permanecei no meu amor”, que no quarto Evangelho indica uma habitação mútua e
ininterrupta. A alegria de Matias, e a nossa, reside em saber que o apostolado
não é um cargo de poder, mas uma extensão da amizade com Cristo”, disse.
Relacionando a liturgia à Diocese, Dom Dulcênio afirmou que a
mesma ação de Deus que guiou a Igreja nascente continua presente na caminhada
da Diocese ao longo de seus 77 anos. No coração do Planalto da Borborema, a
Igreja permanece firme na missão evangelizadora.
“Essa mesma eleição divina que repousou sobre Matias manifestou-se
de forma singular no coração da Paraíba. Hoje, ao celebrarmos os 77 anos da
Diocese de Campina Grande, reconhecemos que o Senhor também lançou Sua sorte
sobre esta terra do Planalto da Borborema. Assim como a comunidade apostólica
se manteve unida na oração, nossa Diocese tem sido, ao longo de quase oito
décadas, um farol de fé e resistência no semiárido”, destacou.
Ao concluir, o bispo confiou a Diocese à proteção da Imaculada
Conceição e à intercessão de São Matias. Celebrar os 77 anos da Diocese,
segundo Dom Dulcênio, é reconhecer a ação providente de Deus na história e
renovar o compromisso de continuar anunciando Cristo com esperança e
perseverança.
“Campina Grande, sob o olhar vigilante e terno da Imaculada
Conceição, nossa padroeira, é uma porção do povo de Deus que aprendeu a
“permanecer no amor” mesmo diante dos desafios do tempo. Que a intercessão de
São Matias renove em nosso clero e em nosso laicato o zelo missionário, para
que a Igreja de Campina continue sendo o lugar onde o Senhor “levanta o fraco”
e manifesta Sua glória, protegida sempre pelo manto da Virgem que, no alto da
Borborema, nos ensina a fazer tudo o que o Seu Filho disser”, findou.
Encerrando o encontro, os participantes foram convidados a
compreender que a missão evangelizadora da Igreja continua a mesma, mesmo
diante das transformações tecnológicas do tempo presente: anunciar Jesus Cristo
com verdade, prudência, humanidade e esperança. Em meio aos avanços digitais, a
Igreja reafirma que nenhuma tecnologia pode substituir o valor da pessoa
humana, criada à imagem de Deus e chamada à comunhão, ao amor e à vida plena.
Por:
Ascom e Padre Márcio Henrique
Fotos: Pascom Diocesana e Padres










































