Assembleia Geral da CNBB deve votar novas Diretrizes após percurso sinodal marcado por escuta e comunhão
A
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, de 15 a 24 de abril,
em Aparecida (SP), sua próxima Assembleia Geral tendo como tema central a
votação e possível aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora
da Igreja no Brasil (DGAE). O texto é fruto de um processo iniciado em 2022 e
marcado por ampla escuta, participação e discernimento em chave sinodal.
A
expectativa é que o episcopado brasileiro consolide, nesta Assembleia, um
documento que deverá orientar a ação pastoral da Igreja no país nos próximos
anos, em sintonia com os desafios contemporâneos e com o caminho sinodal vivido
pela Igreja no mundo.
Ao
longo desse percurso, dois marcos se destacam como referências fundamentais: a
carta dos bispos à Igreja no Brasil, que deu início ao processo, e a mensagem
enviada pelo Papa Francisco ao episcopado brasileiro, que confirmou e encorajou
o caminho adotado.
A
carta à Igreja no Brasil: ponto de partida do caminho sinodal
Ainda
em 2022, durante a 59ª Assembleia Geral, os bispos brasileiros divulgaram uma
carta à Igreja no Brasil apresentando o itinerário de construção das novas
Diretrizes. Mais do que um cronograma, o documento expressou uma escolha clara:
trilhar um caminho sinodal, com ampla participação do Povo de Deus.

Na
carta, o episcopado reafirma o compromisso de construir “uma Igreja
decididamente sinodal”, destacando a necessidade de avançar sem retrocessos,
com mais escuta, diálogo e corresponsabilidade. O texto também aponta para a
urgência de uma Igreja mais fraterna, missionária e comunitária, capaz de
responder aos desafios do tempo presente.
Esse
documento teve papel decisivo ao mobilizar dioceses, organismos e fiéis em todo
o país, incentivando a participação ativa e o envio de contribuições. Ao mesmo
tempo, situou a elaboração das Diretrizes em sintonia com o Sínodo sobre a
Sinodalidade, ampliando o horizonte eclesial da reflexão.
Discernimento
Pastoral
Em
2023, o processo avançou para o discernimento pastoral, com reflexões sobre os
impactos da pandemia, as transformações culturais e digitais e desafios como a
pobreza, a polarização e o enfraquecimento do senso de pertença eclesial. Nesse
contexto, ganharam força as palavras-chave comunhão, participação e missão, que
passaram a orientar a elaboração do texto.
A
carta do Papa Francisco: encorajamento e confirmação
Em
2024, durante a 61ª Assembleia Geral, o Papa Francisco enviou uma carta ao
episcopado brasileiro na qual manifestou alegria pelo processo de elaboração
das Diretrizes, destacando seu caráter sinodal.

A
mensagem foi recebida como sinal de comunhão com a Igreja no Brasil e como
confirmação do caminho percorrido. O Papa encorajou os bispos a manterem viva a
caridade, a busca pela verdade e o compromisso com o Evangelho, recordando que
toda ação pastoral deve ser guiada pelo amor e pela entrega.
Consolidação
e aprofundamento em 2024
Ainda
em 2024, os bispos trabalharam sobre um instrumento de trabalho que
sistematizou as contribuições recebidas. A metodologia incluiu a “conversa no
Espírito”, com grupos de discernimento voltados à escuta dos sinais dos tempos
e à definição de caminhos pastorais.
A imagem da “tenda alargada” tornou-se inspiração central, expressando o desejo de uma Igreja mais acolhedora, aberta e missionária. O processo também buscou integrar as conclusões do Sínodo e dialogar com questões emergentes, como o impacto das novas tecnologias, a crise climática e o crescimento do individualismo.


Equipe
de Elaboração e amadurecimento do texto
Ao
longo do processo, o texto passou por sucessivas revisões e foi profundamente
marcado pela atuação da Equipe de Elaboração das Diretrizes, que teve papel
decisivo na escuta, sistematização e discernimento das contribuições vindas de
dioceses, organismos e conselhos pastorais. Em 2026, o documento alcançou sua
23ª versão, consolidando um caminho construído de forma colegiada, marcado pela
escuta, pela corresponsabilidade e pelo método sinodal como eixo estruturante.
O texto também incorpora inspirações do Papa Leão XIV e do magistério recente.
A
assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB e membro da
Equipe de Elaboração das Diretrizes, Mariana Aparecida Venâncio, destaca a
relevância do grupo nesse percurso:
“Dom
Leomar Brustolin foi designado para presidir a equipe e buscou constituí-la com
bispos que representassem todo o Brasil. Além disso, ela conta com a assessoria
de peritos e assessores da CNBB”, afirma.
Segundo
Mariana, a composição plural e representativa da equipe foi fundamental para
garantir que o texto refletisse a diversidade e a riqueza da realidade eclesial
brasileira, contribuindo de maneira decisiva para a qualidade e a unidade das
Diretrizes.

Também
para dom Leomar Brustolin, arcebispo de Santa Maria (RS), o trabalho da equipe
tem favorecido um maior aprofundamento e comunhão entre os bispos.
“Há
uma grande participação, comunhão e senso de pertença. Acho que nas Diretrizes
teremos grandes linhas para a evangelização”, destacou.
Versão
final e votação em 2026
Em
março de 2026, o Conselho Permanente da CNBB recebeu a versão final das
Diretrizes, considerada uma das mais abrangentes já elaboradas pela Conferência
em termos de escuta e participação.

O
documento está estruturado em seis capítulos, abordando desde a imagem da
comunidade como “tenda” até compromissos sinodais concretos. Para Mariana
Venâncio, um dos aspectos mais significativos é a mudança na forma de
organização do texto.
“Aquilo
que, em diretrizes passadas, denominávamos prioridades ou eixos, agora são
caminhos por meio dos quais a Igreja no Brasil busca atender ao chamado à
sinodalidade”, explica.
Ela
destaca ainda o vínculo direto com o Sínodo:
“Uma
das referências fundamentais dessas DGAE é o Sínodo da Sinodalidade. Ela se
constitui como um grande instrumento de recepção, apontando o modo como a
Igreja no Brasil pode viver a sinodalidade em suas realidades, desafios e
potencialidades”.
Sobre
a vigência do documento, Mariana ressalta que a decisão caberá ao conjunto dos bispos
reunidos em Assembleia:
“A
equipe de elaboração levará uma proposta, mas esse é um discernimento que
deverá ser feito por todo o episcopado durante os trabalhos da Assembleia”,
afirma.
O
objetivo geral do texto, ainda a ser aprovado, é “evangelizar, anunciando Jesus
Cristo, como Igreja sinodal sustentada pela Palavra e pelos sacramentos”, com
forte ênfase na missão, na comunhão e na participação.
Um
marco para a Igreja no Brasil
A
Assembleia de abril representa o ponto culminante de um processo de quase
quatro anos, marcado por escuta, diálogo e amadurecimento coletivo. Caso
aprovadas, as novas Diretrizes deverão orientar a ação evangelizadora da Igreja
no Brasil em um cenário de profundas transformações sociais, culturais e
religiosas.
Mais
do que um documento, as DGAE expressam um modo de ser Igreja: sinodal,
missionária e atenta aos sinais dos tempos. Sustentadas pela carta inicial dos
bispos e confirmadas pelo encorajamento do Papa Francisco, elas apontam os
rumos da evangelização no país para os próximos anos.
Composição
atual da Equipe de Elaboração das DGAE
Dom
Leomar Antônio Brustolin | Arcebispo de Santa Maria (RS)
Dom
José Altevir da Silva | Bispo de Tefé (AM)
Dom
Pedro Carlos Cipollini | Bispo de Santo André (SP)
Dom
Francisco de Sales Alencar Batista | Bispo de Mossoró (RN)
Dom
Paulo Renato Campos | Bispo de Barra do Garças (MT)
Dom
Jânison de Sá Santos | Bispo auxiliar de Fortaleza (CE)
Padre
Abimar Oliveira de Moraes | PUC Rio
Padre
Jean Poul Hansen | Secretário-executivo de Campanhas da CNBB
Mariana
Aparecida Venâncio | Assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética
da CNBB
*Por:
CNBB
