Sábado de Aleluia: Dom Dulcênio Preside a “Mãe de todas as Vigílias”
A
noite do Sábado de Aleluia foi marcada por fé, luz e esperança. A tradicional
Vigília Pascal, considerada a “mãe de todas as vigílias” da Igreja, reuniu centenas
de fiéis na Catedral Diocesana de Nossa Senhora da Conceição, que ficou
completamente lotada para celebrar a Ressurreição do Senhor. A celebração foi
presidida por Dom Dulcênio Fontes de Matos, Bispo Diocesano.
A
programação teve início às 19h30, na praça da Catedral, com a bênção do fogo
novo. A partir dele, Dom Dulcênio acendeu o Círio Pascal, símbolo do Cristo
ressuscitado, luz que vence as trevas. Em seguida, o Círio foi conduzido
solenemente para o interior da igreja, ainda às escuras, e sua chama foi sendo
partilhada entre os fiéis, iluminando pouco a pouco todo o espaço sagrado, num
forte sinal da presença viva de Cristo no meio do seu povo.
Já
no interior da Catedral, a liturgia seguiu com a rica Proclamação da Páscoa e da
Palavra de Deus. Foram entoadas as leituras do Antigo Testamento, que narram a
história da salvação, intercaladas por salmos e orações. Com o solene canto do
“Glória a Deus nas alturas”, as luzes da Igreja Mãe da Diocese foram acesas e
os sinos repicaram festivamente, anunciando a vitória de Cristo sobre a morte.
A
celebração atingiu seu ponto culminante com a proclamação do Evangelho da
Ressurreição, precedido pelo canto do “Aleluia”, que volta a ecoar após o
silêncio quaresmal. Em seguida, seis jovens receberam os sacramentos da
iniciação cristã, após um período de preparação: foram batizados, confirmados e
participaram pela primeira vez da Eucaristia, tornando ainda mais viva a
alegria pascal vivida por toda a assembleia.
Homilia
Em
sua pregação, o bispo apresentou a Ressurreição como o florescer da vida no
“jardim” do sepulcro vazio. Após o caminho que passa pelo Éden, Getsêmani e
Gólgota, a morte já não é o fim, mas o início de uma nova criação em Cristo,
onde a vida vence definitivamente.
“Neste
jardim misterioso, a Vida desabrocha, pois Cristo ressuscita; verdadeiramente,
ressuscita. Assim como a vida começou no jardim do Éden, o paraíso ou ‘jardim
das delícias’, a vida nova em Cristo tem seu início no Jardim da Ressurreição.
E, se foi num jardim que o homem recebeu, pelo pecado, a sua derrota, foi no
Jardim do sepulcro, agora vazio, que ele recebeu a sua vitória Naquele que do
sepulcro ressuscita, esvaziando-o”, pregou.
O
jardim, símbolo bíblico de origem e restauração, revela que a humanidade não
apenas recupera o que perdeu, mas alcança algo maior: a vida divina. Em Cristo
ressuscitado, a vitória não é retorno ao passado, mas plenitude, abrindo ao
homem a eternidade em Deus.
“Não
temos, simplesmente, a volta de um exílio para uma felicidade outrora perdida,
mas chegamos onde não imaginávamos chegar: a vida divina, imorredoura em Deus,
maneira que podemos, por Cristo, com Cristo e em Cristo, bradar: “A morte foi
tragada pela vitória; onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o
teu aguilhão?” (1Cor 15,54-55).
Ao
evocar São João Paulo II, o prelado destacou que o Crucificado é o mesmo que
ressuscita glorioso. Assim, o “Aleluia” expressa a alegria de uma vitória que
envolve toda a humanidade, chamada a viver e frutificar nessa nova vida.
“Surrexit
de sepulchro... qui pro nobis pependit in ligno’, ressuscitou do sepulcro quem
por nós pendeu do lenho, bem exclamou São João Paulo II (Alocução na Via
Crucis, 18.04.2003). Se o fruto do pecado é a morte (cf. Rm 6,23), o fruto de
Cristo, Deus vitorioso, é a vida para nós; Nele, desabrochamos, florescemos e
frutificamos; à Sua vitória não ficamos indiferentes, pois nos envolve. Por
isso que o alegre “Aleluia” de hoje é envolvente; é ecoante”, destacou.
Concluindo,
sublinhou que o Ressuscitado, como “Divino Jardineiro”, conduz à fé, como fez
com Maria Madalena. A Ressurreição é o fundamento da fé cristã, sustentando a
esperança da Igreja que proclama: Cristo ressuscitou, verdadeiramente
ressuscitou.
“Maria,
pedagogicamente, foi sendo conduzida à fé na ressurreição. Nós, muito mais
privilegiados do que ela, temos como base a nosso favor a fé da Igreja que
subsiste - toda ela - na verdade de hoje, proclamando-a: “Cristo ressuscitou!
Verdadeiramente, ressuscitou... a nossa pregação é sincera e a nossa fé
fundamentada porque cremos e proclamamos: “Cristo ressuscitou! Verdadeiramente,
ressuscitou”, terminou.
Por: Ascom
Fotos: Pascom Catedral










































