Sábado de Aleluia: Dom Dulcênio Preside a “Mãe de todas as Vigílias”

Postado em 05/04/26 às 01:3510 minutos de leitura49 views

A noite do Sábado de Aleluia foi marcada por fé, luz e esperança. A tradicional Vigília Pascal, considerada a “mãe de todas as vigílias” da Igreja, reuniu centenas de fiéis na Catedral Diocesana de Nossa Senhora da Conceição, que ficou completamente lotada para celebrar a Ressurreição do Senhor. A celebração foi presidida por Dom Dulcênio Fontes de Matos, Bispo Diocesano.

A programação teve início às 19h30, na praça da Catedral, com a bênção do fogo novo. A partir dele, Dom Dulcênio acendeu o Círio Pascal, símbolo do Cristo ressuscitado, luz que vence as trevas. Em seguida, o Círio foi conduzido solenemente para o interior da igreja, ainda às escuras, e sua chama foi sendo partilhada entre os fiéis, iluminando pouco a pouco todo o espaço sagrado, num forte sinal da presença viva de Cristo no meio do seu povo.

Já no interior da Catedral, a liturgia seguiu com a rica Proclamação da Páscoa e da Palavra de Deus. Foram entoadas as leituras do Antigo Testamento, que narram a história da salvação, intercaladas por salmos e orações. Com o solene canto do “Glória a Deus nas alturas”, as luzes da Igreja Mãe da Diocese foram acesas e os sinos repicaram festivamente, anunciando a vitória de Cristo sobre a morte.

A celebração atingiu seu ponto culminante com a proclamação do Evangelho da Ressurreição, precedido pelo canto do “Aleluia”, que volta a ecoar após o silêncio quaresmal. Em seguida, seis jovens receberam os sacramentos da iniciação cristã, após um período de preparação: foram batizados, confirmados e participaram pela primeira vez da Eucaristia, tornando ainda mais viva a alegria pascal vivida por toda a assembleia.

Homilia

Em sua pregação, o bispo apresentou a Ressurreição como o florescer da vida no “jardim” do sepulcro vazio. Após o caminho que passa pelo Éden, Getsêmani e Gólgota, a morte já não é o fim, mas o início de uma nova criação em Cristo, onde a vida vence definitivamente.

“Neste jardim misterioso, a Vida desabrocha, pois Cristo ressuscita; verdadeiramente, ressuscita. Assim como a vida começou no jardim do Éden, o paraíso ou ‘jardim das delícias’, a vida nova em Cristo tem seu início no Jardim da Ressurreição. E, se foi num jardim que o homem recebeu, pelo pecado, a sua derrota, foi no Jardim do sepulcro, agora vazio, que ele recebeu a sua vitória Naquele que do sepulcro ressuscita, esvaziando-o”, pregou.

O jardim, símbolo bíblico de origem e restauração, revela que a humanidade não apenas recupera o que perdeu, mas alcança algo maior: a vida divina. Em Cristo ressuscitado, a vitória não é retorno ao passado, mas plenitude, abrindo ao homem a eternidade em Deus.

“Não temos, simplesmente, a volta de um exílio para uma felicidade outrora perdida, mas chegamos onde não imaginávamos chegar: a vida divina, imorredoura em Deus, maneira que podemos, por Cristo, com Cristo e em Cristo, bradar: “A morte foi tragada pela vitória; onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1Cor 15,54-55).

Ao evocar São João Paulo II, o prelado destacou que o Crucificado é o mesmo que ressuscita glorioso. Assim, o “Aleluia” expressa a alegria de uma vitória que envolve toda a humanidade, chamada a viver e frutificar nessa nova vida.

“Surrexit de sepulchro... qui pro nobis pependit in ligno’, ressuscitou do sepulcro quem por nós pendeu do lenho, bem exclamou São João Paulo II (Alocução na Via Crucis, 18.04.2003). Se o fruto do pecado é a morte (cf. Rm 6,23), o fruto de Cristo, Deus vitorioso, é a vida para nós; Nele, desabrochamos, florescemos e frutificamos; à Sua vitória não ficamos indiferentes, pois nos envolve. Por isso que o alegre “Aleluia” de hoje é envolvente; é ecoante”, destacou.

Concluindo, sublinhou que o Ressuscitado, como “Divino Jardineiro”, conduz à fé, como fez com Maria Madalena. A Ressurreição é o fundamento da fé cristã, sustentando a esperança da Igreja que proclama: Cristo ressuscitou, verdadeiramente ressuscitou.

“Maria, pedagogicamente, foi sendo conduzida à fé na ressurreição. Nós, muito mais privilegiados do que ela, temos como base a nosso favor a fé da Igreja que subsiste - toda ela - na verdade de hoje, proclamando-a: “Cristo ressuscitou! Verdadeiramente, ressuscitou... a nossa pregação é sincera e a nossa fé fundamentada porque cremos e proclamamos: “Cristo ressuscitou! Verdadeiramente, ressuscitou”, terminou.

Por: Ascom
Fotos: Pascom Catedral



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