Na Catedral: Missa da Ceia do Senhor com Rito do Lava-Pés Marca Início do Tríduo Pascal
A
Igreja deu início, nesta Quinta-feira Santa, ao Tríduo Pascal com a celebração
da Missa da Ceia do Senhor, momento que recorda a Instituição da Eucaristia e
do sacerdócio. Na Catedral Diocesana de Campina Grande, a solene celebração foi
presidida pelo Bispo Diocesano, Dom Dulcênio Fontes de Matos, reunindo um
grande número de fiéis na Igreja Mãe da diocese.
Concelebraram
a Santa Missa o Vigário Geral e Pároco da Catedral, Padre Luciano Guedes, e o Vigário
Paroquial, Padre Mércio Aurélio, além da presença dos diáconos e seminaristas,
que deram assistência litúrgica.
Durante
a celebração, foi realizado o rito do lava-pés, conduzido por Dom Dulcênio. O
gesto, que remete à atitude de Jesus na Última Ceia, recorda a humildade e o
serviço como essência da vida cristã, traduzindo, de forma concreta, o
mandamento do amor deixado por Cristo aos seus discípulos.
Após
a liturgia eucarística, a comunidade participou da trasladação do Santíssimo
Sacramento para a cripta da Catedral. Em clima de profundo recolhimento, teve
início a Vigília Eucarística, marcada pelo silêncio, oração e adoração,
convidando os fiéis a permanecerem com o Senhor neste momento que antecede sua
paixão.
O
Tríduo Pascal segue nesta Sexta-feira Santa, com a celebração da Paixão do
Senhor, às 15h, na Catedral, seguida da tradicional procissão do Senhor Morto,
às 17h, pelas ruas do centro da cidade. As celebrações se encerram na noite do
Sábado Santo, com a solene Vigília Pascal, quando a Igreja celebra, com
alegria, a ressurreição de Cristo.
Homilia
O
bispo destacou o sentido profundo da despedida de Jesus, marcada por um “adeus”
que une dor e esperança. A liturgia desta noite traz uma alegria contida,
expressa no canto do Glória, que antecipa a vitória pascal, mas ainda envolta
pela sombra da paixão.
“Hoje,
Quinta-feira Santa, celebramos um “adeus”: a despedida de alguém que vai para o
Pai (Jo 13,1); mas que, ao mesmo tempo, deixa uma profunda nostalgia, sobretudo
por causa do modo como essa despedida será levada a termo, na noite seguinte.
Daí o espírito bem particular desta celebração: alegria, até jubiloso — o
glória (que não ressoará mais até a noite pascal). Mas é uma alegria em tom
menor, misturada com lágrimas, uma alegria reticente, inibida”, destacou.
O
bispo ressaltou que essa tensão entre sofrimento e glória está no centro do
Evangelho de São João. À luz da Páscoa, os fiéis compreendem que Jesus caminha
livremente para a cruz, transformando a dor em caminho de redenção e amor.
“Esta
dupla consciência de catástrofe e de glória é o núcleo dos capítulos que São
João consagra à despedida de Jesus (Jo 13-17) e dos quais nós escutamos, nesta
tarde, o início. Essa consciência ficou clara para os cristãos, depois da
Páscoa, graças à obra do Espírito Santo. Por isso a despedida de Jesus volta
também a ser lida nos evangelhos depois da Páscoa, que, em muitos pontos, se
parecem com a celebração de hoje.
No
gesto do lava-pés, evidenciou-se o exemplo de humildade deixado por Cristo, que
se faz Servo e se entrega pelos irmãos. Mais que símbolo, é um convite à
vivência concreta da comunhão, no amor e no serviço.
“Apresenta-se
a nós o “exemplo” da doação da vida que Jesus mostrou aos Apóstolos no começo
da Ceia, lavando-lhes os pés. Com isso, ele deu a entender que ele é o Servo,
que se humilha e carrega sobre si os pecados (Jo 13,10)... a narração do
lava-pés mostra por um exemplo o que significam as palavras de Jesus repetidas
na oração eucarística: “Isto é o meu corpo, dado por vós… Este é o cálice do
meu sangue… que é derramado por vós e por todos para o perdão dos pecados”.
Dom
Dulcênio também destacou a Eucaristia como presença real de Cristo, instituída
na Última Ceia. Nela, Jesus se faz alimento e permanece vivo entre nós, sendo
verdade de fé e expressão máxima do amor de Deus.
“A
Eucaristia é o grande portento da onipotência, da sabedoria e do amor de Deus.
Pela Eucaristia, Jesus vem a nós, dar-se todo a nós, imola-se continuamente por
nós... a Eucaristia é uma VERDADE dogmática, que devemos crer; é LEI, que
devemos observar; é SACRAMENTO, que devemos receber”, destacou.
E
concluiu sua pregação exortando: “Amados irmãos e amadas irmãs, seja o Lava-pés
uma lição de humildade, que herdamos de Nosso Senhor; mas seja também um
símbolo da pureza de consciência que sempre devemos manter, como inspiração e
graça de Jesus no Santíssimo Sacramento. Amém”.
Por: Ascom
Fotos: Pascom Catedral
































