Em Brasília: Diocese é Representada em Encontro da Comissão Para Animação Bíblico-Catequética da CNBB
Entre os dias 23 e 26 de março, a Comissão para a Animação
Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou,
na Casa Dom Luciano Mendes de Almeida, em Brasília (DF), um encontro com bispos
referenciais e coordenadores regionais de todo o país. A reunião marca a
proximidade dos 10 anos de publicação do Documento 107 e busca avaliar os
frutos, desafios e perspectivas da Iniciação à Vida Cristã (IVC) no Brasil.
O encontro reuniu lideranças da catequese em um ambiente de
escuta, partilha e discernimento, inspirado no caminho sinodal vivido pela
Igreja. Representando a Diocese de Campina Grande, esteve o Padre Jorge
Rodrigues, que também é o Diretor da Escola de formação de Catequese Irmã
Visitation, do Regional NE2.
Organizados em “mesas sinodais”, os participantes refletiram sobre
a recepção do Documento 107 nas dioceses e regionais, destacando avanços
significativos, mas também limites na implementação da proposta.
Segundo o assessor da Comissão para a Animação
Bíblico-Catequética, padre Wagner Carvalho, o encontro foi um momento
importante de avaliação e projeção:
“Durante esses dias, fazemos um diagnóstico dos passos dados na
catequese de inspiração catecumenal, suas incidências nas dioceses, paróquias e
comunidades. Ao mesmo tempo, refletimos os frutos dessa primeira década do
Documento 107 e pensamos propostas para alcançar ainda mais pessoas e
fortalecer o processo de iniciação à vida cristã”, explicou.
Ele também destacou a metodologia adotada no encontro:
“Optamos pela conversação no Espírito, em mesas sinodais, onde os
participantes se escutam, partilham suas experiências e assumem compromissos
comunitários”, afirmou.
Frutos e avanços
Ao longo da última década, a Igreja no Brasil tem experimentado
uma mudança gradual na compreensão da catequese, que passa a ser entendida como
processo de iniciação à vida cristã. Entre os principais frutos apontados estão
a valorização do primeiro anúncio (querigma), a criação de itinerários
inspirados no catecumenato e o fortalecimento da formação de catequistas.
Padre Wagner ressaltou que um dos principais avanços foi a
superação de uma visão limitada da catequese:
“Houve um esforço significativo para passar de uma catequese
centrada apenas na sacramentalização para um processo de discipulado. Além
disso, cresceu a integração entre catequese e liturgia, favorecendo uma
vivência mais completa da fé nas comunidades”, destacou.
Também, segundo ele, se observa maior integração entre catequese,
liturgia e vida comunitária, além do crescimento da consciência missionária nas
comunidades.
Desafios persistentes
Apesar dos avanços, os participantes reconhecem que a
implementação do Documento 107 ainda acontece de forma desigual no país. Em
muitas realidades, persiste um modelo de catequese mais voltado à preparação
sacramental do que à formação de discípulos missionários.
Uma imagem simbólica tem orientado as reflexões do encontro: a da
samaritana no poço. A pergunta “a samaritana já saiu do poço?” provoca os
participantes a avaliarem os frutos do caminho percorrido.
“Queremos saber se, de fato, aqueles que passaram pelo processo de
iniciação fizeram um encontro pessoal com Cristo e se colocaram em missão. A
samaritana saiu do poço quando deixou o comodismo e anunciou o que encontrou”,
explicou o assessor da Comissão.
Olhar para o futuro
A reunião também projetou os próximos passos para a iniciação à
vida cristã no Brasil. Entre os sonhos apontados estão a consolidação de uma
catequese querigmática e mistagógica, o fortalecimento do acompanhamento
pessoal e comunitário e a construção de comunidades mais acolhedoras e
missionárias.
O presidente da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética, dom
Leomar Brustolin, destacou que o encontro é fundamental para discernir novos
caminhos:
“Nós nos reunimos anualmente para avaliar a catequese e a animação
bíblica no país e buscar respostas à pergunta central: como transmitir a fé
hoje. Temos constatado, por exemplo, um crescimento significativo da catequese
com adultos, o que exige novas linguagens e metodologias”, afirmou.
Ele também chamou atenção para os desafios atuais:
“Vivemos em um contexto de jovens hiperconectados, mas marcados
pela solidão e pelo vazio existencial. Isso nos provoca a encontrar novos
caminhos para anunciar o Evangelho”, disse.
Outro ponto central é a necessidade de garantir a perseverança dos
iniciados na vida comunitária, superando a prática de abandono após a recepção
dos sacramentos.
Caminhos concretos
Como encaminhamentos, destacam-se a intensificação na formação de
agentes para o primeiro anúncio; a promoção de experiências de encontro com
Cristo; a implantação de processos de acompanhamento contínuo; a integração dos
iniciados nas comunidades e serviços eclesiais; e o fortalecimento da dimensão
comunitária da fé.
Dom Leomar também ressaltou a importância de alinhar as ações da
Comissão às próximas Diretrizes da Igreja no Brasil e de enfrentar desafios
sociais concretos.
“Não podemos separar a catequese da realidade. Temas como a
violência, em especial o feminicídio, e a falta de paz também interpelam nosso
trabalho evangelizador”, afirmou.
II Romaria Nacional dos Catequistas
Durante o encontro, também foi pauta os preparativos para a II
Romaria Nacional dos Catequistas, que acontecerá de 28 a 30 de agosto, em
Aparecida (SP).
De acordo com padre Wagner, a iniciativa tem como objetivo formar,
animar e integrar os catequistas de todo o Brasil.
“Será um momento de aprofundamento sobre o querigma, com
conferências, oficinas e celebrações. Queremos oferecer instrumentos concretos
para que os catequistas fortaleçam sua missão nas comunidades”, explicou.
Dom Leomar reforçou a importância do evento e destacou a
preparação de novos materiais catequéticos:
“A Romaria será também ocasião para apresentar novos subsídios,
com linguagem renovada e metodologias atualizadas para o trabalho catequético”,
afirmou.
Com informações e fotos: CNBB












