Na Catedral: Missa de Ramos Marca Início da Semana Santa

Postado em 29/03/26 às 17:498 minutos de leitura47 views

A Igreja iniciou, neste 29 de março, com a celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, a Semana Santa, a Semana Maior da fé cristã. Na Catedral Diocesana de Nossa Senhora da Conceição, centenas de fiéis se reuniram logo nas primeiras horas da manhã para participar da tradicional celebração que recorda a entrada de Jesus em Jerusalém e introduz os mistérios centrais da fé.

A celebração teve início na área externa da Catedral, onde os fiéis, com ramos nas mãos, reviveram o gesto do povo que acolheu Cristo com alegria. Ainda no pátio, antes da bênção dos ramos, foi proclamado o Evangelho, onde Dom Dulcênio, o Bispo Diocesano, conduziu uma reflexão, preparando espiritualmente a assembleia para o início da Semana Santa.

Dom Dulcênio convidou os fiéis a rever a caminhada quaresmal e a entrar com Cristo em Jerusalém com sinceridade. Mais que um rito, é adesão ao mistério pascal, que conduz ao Calvário e ao Santo Sepulcro, ao recordar que “após longo trajeto […] adentraremos com Ele na Cidade Santa […] a nossa meta […] é o Calvário e o Santo Sepulcro”, sublinhou.

À luz de São Bernardo de Claraval, o bispo exortou a viver a Semana Santa com fé e entrega. Sustentados pela graça e pela intercessão de Maria, os fiéis são chamados a acompanhar o Senhor na Paixão.

“Eis, cristãos, a Semana Santa. No dizer de São Bernardo, “Semana Penosa”, pelos tormentos e penas que Cristo, nosso Redentor, nela padeceu. Como viveremos estes dias santíssimos? Peçamos ao Senhor, que hoje chorou sobre a cidade de Jerusalém ao dela aproximar-se (cf. Lc 19,41), a assistência da Sua graça. Recorramos à intercessão da Virgem Senhora, para que nos conceda um devoto afeto aos nossos corações, semelhantemente ao que ela, de forma amorosa e insuperável, por primeiro, nutria”, disse.

Após a bênção dos ramos e a reflexão, o bispo, juntamente com o Pe. Luciano Guedes, diáconos, seminaristas e todo o povo de Deus, seguiu em procissão até o interior da Catedral. Entoando “Hosana ao Filho de Davi”, os fiéis expressaram sua fé e devoção, dando continuidade à celebração com a Santa Missa.

Homilia da Santa Missa

O Bispo iniciou sua pregação citando Matheus 27, 36-38, conduzindo os fiéis ao Getsêmani, revelando um Cristo que experimenta a angústia diante da Paixão, e convidando a todos também hoje à vigilância e comunhão com Seu sofrimento.

“Então Jesus foi com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse: ‘Sentai-vos aqui, enquanto eu vou até ali para rezar!’. Jesus levou consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, e começou a ficar triste e angustiado. Então Jesus lhes disse: ‘Minha alma está triste até à morte. Ficai aqui e vigiai comigo!’” (Mt 27,36-38)”.

O bispo explicou que essa tristeza nasce do amor de Cristo pela humanidade. No Getsêmani, manifesta-se Sua humildade e caridade, como ensina Remígio de Auxerre ao afirmar que o Senhor sofre “no vale de Sua humildade e na abundância de Sua caridade”.

“E o que significa tal amargura, tal tristeza? Jesus estava no Getsêmani, cujo nome quer dizer “vale riquíssimo”. Naturalmente, não era pelo fato de estar num jardim que o Senhor Se entristecera, e sim, como afirma Remígio, “para manifestar que sofria a morte por nós no vale de Sua humildade e na abundância de Sua caridade”, explicou.

A profundidade dessa dor é ampliada por São Tomás More, ao descrever um coração “sobrecarregado […] com muitas dores”, diante da traição, dos sofrimentos e da dor de Sua Mãe. Assim, a angústia de Cristo revela a grandeza de Seu amor redentor.

“O coração bendito e tenro do Nosso Santíssimo Salvador estava sobrecarregado e traspassado com muitas dores horríveis. Indubitavelmente, ele bem sabia que o traidor e os seus inimigos mortais se aproximavam e, de alguma maneira, já lhe sobrevinham. Muito lhe inquietou prever que seus discípulos vacilariam de medo e terror, o mal que deveria recair sobre os judeus, a morte do traidor, Judas, e, acima de tudo, a tristeza indizível da sua querida e amada mãe”, pregou.

Por fim, Dom Dulcênio destacou a confiança de Jesus no Pai: “não seja feito como eu quero, mas sim como tu queres”. Esse abandono ensina a viver a vontade de Deus com fidelidade, fazendo do caminho do Getsêmani ao Santo Sepulcro um itinerário de fé e esperança.

“Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. Contudo, não seja feito como eu quero, mas sim como tu queres” (Mt 27,42); e tais palavras, em oração, foram ditas por Jesus três vezes, a fim de nos ensinar a constância em sermos resolutos à vontade de Deus. Do Jardim das Oliveiras ao jardim do Santo Sepulcro: este será o nosso caminho nestes dias santíssimos, sempre a nos conformarmos ao Senhor, nosso Deus, padecente e glorioso. Estejamos, pois com Ele”, terminou.

A programação completa da Semana Santa na Catedral Diocesana pode ser conferida clicando aqui.

Por: Ascom
Fotos: Pascom Catedral e Joaquim Urtiga



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