Regional Nordeste 2 abre a Campanha da Fraternidade na Diocese de Campina Grande

Postado em 20/02/26 às 16:558 minutos de leitura72 views

Na manhã desta sexta-feira, 20 de fevereiro, a Diocese de Campina Grande foi palco de um encontro marcado pela escuta, pela reflexão e pelo compromisso social. O Regional Nordeste 2 da CNBB realizou a abertura do lançamento da Campanha da Fraternidade 2026, que traz como tema “Fraternidade e Moradia” e como lema: “Ele veio habitar entre nós” (Jo 1,14).

A programação aconteceu no auditório do Seminário Diocesano São João Maria Vianney e reuniu representantes das 21 dioceses do Regional, entre bispos, padres, assessores e fiéis leigos. A acolhida foi conduzida pelo Bispo Diocesano, Dom Dulcênio Fontes de Matos, que destacou a alegria de receber os pastores e reforçou o chamado da Igreja a olhar com atenção para as realidades humanas mais urgentes.

Entre os presentes estavam Dom Paulo Jackson, bispo referencial do Regional; Dom Francisco Sales, presidente do Regional; Dom Antônio Carlos, vice-presidente; Dom José Luiz Ferreira, secretário; e Dom Manuel Delson, Arcebispo da Arquidiocese da Paraíba.

Em sua fala, Dom Paulo Jackson apresentou dados alarmantes sobre a realidade da moradia no Brasil, recordando que a Igreja, à luz do Concílio Vaticano II — especialmente da Constituição Gaudium et Spes — é chamada a iluminar as realidades sociais com a força do Evangelho. Ele enfatizou que a Doutrina Social da Igreja é fundamental nesse caminho e destacou a necessidade de presença ativa nas políticas públicas e nas realidades habitacionais.

Após sua fala, o momento formativo seguiu com o professor e doutor Arthur Rodrigues de Lima, que aprofundou a temática da moradia sob aspectos históricos e sociais. Ele recordou que a Campanha da Fraternidade tem como proposta promover, a partir da Boa Nova do Reino e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito. Entre os objetivos deste ano estão analisar a realidade concreta e conscientizar à luz da Palavra de Deus

Encerrada a conferência, houve um rico momento de partilha entre as dioceses do Regional, que apresentaram experiências e gestos concretos já realizados em resposta à problemática habitacional. Foram relatos que mostraram que a ação evangelizadora também se expressa no cuidado com a vida e com a dignidade humana.

Antes do término da manhã, Dom Paulo Jackson fez ainda uma breve análise da arte da Campanha deste ano. A imagem apresenta Cristo como “Jesus sem teto”, convidando todos a contemplar o rosto de quem sofre com a falta de moradia. Olhar para esse Cristo é olhar para milhares de irmãos e irmãs em situação de vulnerabilidade. Ele recordou que a Quaresma é tempo de reflexão e mudança interior, e que a Igreja no Brasil quis dar um rosto concreto à vivência quaresmal: a Campanha da Fraternidade como instrumento de conscientização e transformação.

Os números apresentados reforçaram a urgência do tema: déficit habitacional elevado, milhares de moradias precárias, cerca de 12 mil favelas espalhadas pelo país e aproximadamente 320 mil pessoas vivendo em situação de rua. Diante desses dados, a reflexão se impõe: falar de moradia é falar do direito à vida com dignidade.

Ainda no Seminário, uma visita foi feita na Residência Sacerdotal São João Maria Vianney, recém-inaugurada, casa que acolhe os padres idosos e doentes.

A programação segue na parte da tarde com a Santa Missa de encerramento, na Paróquia São João Paulo II e Nossa Senhora de Fátima, no bairro habitacional Aluísio Campos — um local que simboliza, de maneira concreta, o chamado a olhar para a moradia como espaço de vida, dignidade e esperança.

Alocução de Dom Dulcênio

Diante do Regional Nordeste 2, Dom Dulcênio ressaltou que a Igreja se reúne para rezar e escutar, mas também para assumir responsabilidades diante das urgências sociais que ferem a dignidade humana.

“Com alegria e responsabilidade pastoral, a Diocese de Campina Grande acolhe esta abertura regional da Campanha da Fraternidade. Sejam bem-vindos. Reunimo-nos como Igreja no Regional Nordeste 2, para rezar, escutar e assumir, com seriedade, aquilo que a Quaresma coloca diante de nós: um chamado que pede resposta”, iniciou.

Ao apresentar o tema “Fraternidade e Moradia”, iluminado pelo lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), o bispo afirmou que moradia é mais que estrutura física: é espaço de proteção, convivência e amadurecimento da vida.

“Moradia é mais do que uma construção. É proteção. É descanso. É privacidade. É o lugar onde a família se reúne, onde a vida amadurece, onde a dignidade respira. Quando falta moradia, falta muito mais do que um teto: falta chão, falta segurança, falta futuro. E por isso, falar de moradia é falar de gente, de famílias, de crianças, de idosos, de trabalhadores e trabalhadoras que desejam apenas o mínimo para viver com paz”, disse.

A partir do mistério da Encarnação, Dom Dulcênio recordou que Cristo entrou na história humana e experimentou a precariedade. Assim, a questão da moradia foi colocada como exigência evangélica, que interpela consciências e denuncia estruturas injustas.

“Ele entrou na história. Ele veio habitar a nossa vida, tocar nossas feridas e carregar o peso das nossas fragilidades. O Filho de Deus nasce em situação de precariedade, conhece a insegurança, a fuga e a rejeição, e se aproxima dos que não têm lugar. E como os profetas, Jesus também denuncia com firmeza os mecanismos que esmagam os mais vulneráveis e perpetuam privilégios, enquanto os pequenos vão ficando sem casa, sem terra, sem direitos”, recordou.

Por fim, o bispo reforçou que a conversão quaresmal deve gerar compromisso real. A dura realidade habitacional no Brasil, especialmente no Nordeste, não pode ser naturalizada, mas enfrentada com responsabilidade pastoral e ação concreta.

“E aqui está o sentido deste tempo: a conversão quaresmal precisa tocar a vida inteira. Não apenas o íntimo da consciência, mas as escolhas, as prioridades e as atitudes. A Campanha nos chama a educar o coração e também a formar a responsabilidade, para que a caridade não seja apenas emoção, mas presença concreta e compromisso perseverante”, concluiu.

Por: Ascom
Fotos: Pascom Diocesana



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