Regional Nordeste 2 abre a Campanha da Fraternidade na Diocese de Campina Grande
Na
manhã desta sexta-feira, 20 de fevereiro, a Diocese de Campina Grande foi palco
de um encontro marcado pela escuta, pela reflexão e pelo compromisso social. O
Regional Nordeste 2 da CNBB realizou a abertura do lançamento da Campanha da Fraternidade
2026, que traz como tema “Fraternidade e Moradia” e como lema: “Ele veio
habitar entre nós” (Jo 1,14).
A
programação aconteceu no auditório do Seminário Diocesano São João Maria
Vianney e reuniu representantes das 21 dioceses do Regional, entre bispos,
padres, assessores e fiéis leigos. A acolhida foi conduzida pelo Bispo
Diocesano, Dom Dulcênio Fontes de Matos, que destacou a alegria de receber os
pastores e reforçou o chamado da Igreja a olhar com atenção para as realidades
humanas mais urgentes.
Entre
os presentes estavam Dom Paulo Jackson, bispo referencial do Regional; Dom
Francisco Sales, presidente do Regional; Dom Antônio Carlos, vice-presidente;
Dom José Luiz Ferreira, secretário; e Dom Manuel Delson, Arcebispo da
Arquidiocese da Paraíba.
Em
sua fala, Dom Paulo Jackson apresentou dados alarmantes sobre a realidade da
moradia no Brasil, recordando que a Igreja, à luz do Concílio Vaticano II —
especialmente da Constituição Gaudium et Spes — é chamada a iluminar as
realidades sociais com a força do Evangelho. Ele enfatizou que a Doutrina
Social da Igreja é fundamental nesse caminho e destacou a necessidade de
presença ativa nas políticas públicas e nas realidades habitacionais.
Após
sua fala, o momento formativo seguiu com o professor e doutor Arthur Rodrigues
de Lima, que aprofundou a temática da moradia sob aspectos históricos e
sociais. Ele recordou que a Campanha da Fraternidade tem como proposta
promover, a partir da Boa Nova do Reino e em espírito de conversão quaresmal, a
moradia digna como prioridade e direito. Entre os objetivos deste ano estão
analisar a realidade concreta e conscientizar à luz da Palavra de Deus
Encerrada
a conferência, houve um rico momento de partilha entre as dioceses do Regional,
que apresentaram experiências e gestos concretos já realizados em resposta à
problemática habitacional. Foram relatos que mostraram que a ação
evangelizadora também se expressa no cuidado com a vida e com a dignidade
humana.
Antes
do término da manhã, Dom Paulo Jackson fez ainda uma breve análise da arte da
Campanha deste ano. A imagem apresenta Cristo como “Jesus sem teto”, convidando
todos a contemplar o rosto de quem sofre com a falta de moradia. Olhar para
esse Cristo é olhar para milhares de irmãos e irmãs em situação de vulnerabilidade.
Ele recordou que a Quaresma é tempo de reflexão e mudança interior, e que a
Igreja no Brasil quis dar um rosto concreto à vivência quaresmal: a Campanha da
Fraternidade como instrumento de conscientização e transformação.
Os
números apresentados reforçaram a urgência do tema: déficit habitacional
elevado, milhares de moradias precárias, cerca de 12 mil favelas espalhadas
pelo país e aproximadamente 320 mil pessoas vivendo em situação de rua. Diante
desses dados, a reflexão se impõe: falar de moradia é falar do direito à vida
com dignidade.
Ainda
no Seminário, uma visita foi feita na Residência Sacerdotal São João Maria
Vianney, recém-inaugurada, casa que acolhe os padres idosos e doentes.
A
programação segue na parte da tarde com a Santa Missa de encerramento, na
Paróquia São João Paulo II e Nossa Senhora de Fátima, no bairro habitacional Aluísio
Campos — um local que simboliza, de maneira concreta, o chamado a olhar para a
moradia como espaço de vida, dignidade e esperança.
Alocução
de Dom Dulcênio
Diante
do Regional Nordeste 2, Dom Dulcênio
ressaltou que a Igreja se reúne para rezar e escutar, mas também para assumir
responsabilidades diante das urgências sociais que ferem a dignidade humana.
“Com
alegria e responsabilidade pastoral, a Diocese de Campina Grande acolhe esta
abertura regional da Campanha da Fraternidade. Sejam bem-vindos. Reunimo-nos
como Igreja no Regional Nordeste 2, para rezar, escutar e assumir, com
seriedade, aquilo que a Quaresma coloca diante de nós: um chamado que pede
resposta”, iniciou.
Ao
apresentar o tema “Fraternidade e Moradia”, iluminado pelo lema “Ele veio morar
entre nós” (Jo 1,14), o bispo afirmou que moradia é mais que estrutura física:
é espaço de proteção, convivência e amadurecimento da vida.
“Moradia
é mais do que uma construção. É proteção. É descanso. É privacidade. É o lugar
onde a família se reúne, onde a vida amadurece, onde a dignidade respira.
Quando falta moradia, falta muito mais do que um teto: falta chão, falta
segurança, falta futuro. E por isso, falar de moradia é falar de gente, de
famílias, de crianças, de idosos, de trabalhadores e trabalhadoras que desejam
apenas o mínimo para viver com paz”, disse.
A
partir do mistério da Encarnação, Dom Dulcênio recordou que Cristo entrou na
história humana e experimentou a precariedade. Assim, a questão da moradia foi
colocada como exigência evangélica, que interpela consciências e denuncia
estruturas injustas.
“Ele
entrou na história. Ele veio habitar a nossa vida, tocar nossas feridas e
carregar o peso das nossas fragilidades. O Filho de Deus nasce em situação de
precariedade, conhece a insegurança, a fuga e a rejeição, e se aproxima dos que
não têm lugar. E como os profetas, Jesus também denuncia com firmeza os
mecanismos que esmagam os mais vulneráveis e perpetuam privilégios, enquanto os
pequenos vão ficando sem casa, sem terra, sem direitos”, recordou.
Por
fim, o bispo reforçou que a conversão quaresmal deve gerar compromisso real. A
dura realidade habitacional no Brasil, especialmente no Nordeste, não pode ser
naturalizada, mas enfrentada com responsabilidade pastoral e ação concreta.
“E
aqui está o sentido deste tempo: a conversão quaresmal precisa tocar a vida
inteira. Não apenas o íntimo da consciência, mas as escolhas, as prioridades e
as atitudes. A Campanha nos chama a educar o coração e também a formar a
responsabilidade, para que a caridade não seja apenas emoção, mas presença
concreta e compromisso perseverante”, concluiu.
Por: Ascom
Fotos: Pascom Diocesana





















