Quarta-feira de Cinzas: Escutando, Jejuando e Amando, Refletiu Dom Dulcênio
A
Catedral Diocesana de Nossa Senhora da Conceição, Igreja-Mãe da Diocese de
Campina Grande, acolheu nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, centenas de fiéis
para a celebração da Quarta-feira de Cinzas, que marca o início do santo tempo
da Quaresma. Ao longo do dia, foram celebradas três missas. A última, às 17h,
foi presidida pelo Bispo Diocesano, Dom Dulcênio Fontes de Matos, que em sua
homilia, propôs uma profunda reflexão a partir de três atitudes essenciais para
o caminho quaresmal: “escutar, jejuar e amar”.
A
celebração contou com a concelebração do Padre Luciano Guedes, Pároco da
Catedral e Vigário Geral da Diocese, além da assistência litúrgica dos diáconos
Anderson e Ricardo, e dos seminaristas. A missa reuniu grande número de fiéis
presencialmente e também foi acompanhada por muitos por meio das redes sociais
da Diocese e pela Rádio Caturité.
O
sentido da Quarta-feira de Cinzas
A
Quarta-feira de Cinzas celebra o início da Quaresma, período de 40 dias de
preparação para a Páscoa no calendário litúrgico cristão. É um tempo forte de
reflexão, arrependimento e conversão, no qual os fiéis são convidados a
intensificar a vida espiritual por meio da oração, do jejum e da caridade.
Durante
a celebração, os fiéis recebem a imposição das cinzas, sinal de humildade e
penitência. As cinzas, geralmente provenientes dos ramos utilizados no Domingo
de Ramos do ano anterior, são impostas na testa ou sobre a cabeça com as
palavras: “Lembra-te que és pó e ao pó voltarás” ou “Convertei-vos e crede no
Evangelho”. O gesto recorda a fragilidade humana e a necessidade de
reconciliação com Deus.
Mais
do que um rito externo, a Quarta-feira de Cinzas é um convite à renovação
interior. Ao iniciar a caminhada quaresmal, a Igreja conclama os cristãos a
prepararem o coração para celebrar a Páscoa do Senhor com fé renovada, espírito
de penitência e compromisso concreto com o amor ao próximo.
Homilia
de Dom Dulcênio
Dom
Dulcênio refletiu sobre a primeira mensagem quaresmal do Papa Leão XIV, relacionando-a ao tripé que
sustenta a Quaresma: oração, penitência e caridade.
Com
o tema “Escutar e jejuar”, o Papa propõe um caminho concreto de renovação
espiritual. Dom Dulcênio ressaltou que a Palavra de Deus é o instrumento dessa
transformação, pois, acolhida com docilidade, renova a decisão de seguir Cristo
no caminho que conduz à Páscoa.
“Tendo
a Palavra de Deus como principal artífice deste nosso esforço pessoal,
exorta-nos a que nos deixemos alcançar pela Palavra e a acolhamos com
docilidade de espírito, vinculando “o dom da Palavra de Deus, a hospitalidade
que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza”, renovando “a decisão de
seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe a Jerusalém, onde se
realiza o mistério da sua paixão, morte e ressurreição”, a Sua Páscoa, portanto”,
disse.
Ao
falar da oração, o bispo enfatizou que escutar Deus é o primeiro passo para uma
relação verdadeira com Ele. A escuta atenta educa o coração a discernir a voz
que clama no sofrimento e na injustiça, tornando a fé mais comprometida com a
realidade.
“Escutar
Deus “é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com
o outro”; com este grande Outro, Deus, “que nos envolve e, hoje, também vem até
nós com os pensamentos que fazem vibrar o seu coração. Por isso, escutar a
Palavra na liturgia educa-nos para uma escuta mais verdadeira da realidade”,
pregou.
Sobre
a penitência, explicou que o jejum é prática que dispõe a alma para acolher a
Palavra, disciplina os desejos e recorda que a vida vai além das necessidades
materiais. Trata-se de exercício de liberdade interior e de vigilância espiritual.
“O
jejum, sobretudo, “é um exercício ascético muito antigo e insubstituível no
caminho da conversão. Precisamente porque implica o corpo, torna mais evidente
aquilo de que temos ‘fome’ e o que consideramos essencial para o nosso
sustento”, pois, como sabemos pelo Evangelho das tentações do Senhor, “não só
de pão vive o homem” (Mt 4,4)”, explicou.
Por
fim, destacou que a caridade vai além da ajuda material e inclui atitudes
concretas, inclusive no modo de falar e de se relacionar. A Quaresma deve transformar
também nossa linguagem e nossas escolhas diárias.
“Comecemos
por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário,
ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias. Em vez
disso, esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza:
na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos
debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs”,
findou.
Por: Ascom
Fotos: Pascom Catedral
























