Quarta-feira de Cinzas: Escutando, Jejuando e Amando, Refletiu Dom Dulcênio

Postado em 18/02/26 às 21:268 minutos de leitura38 views

A Catedral Diocesana de Nossa Senhora da Conceição, Igreja-Mãe da Diocese de Campina Grande, acolheu nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, centenas de fiéis para a celebração da Quarta-feira de Cinzas, que marca o início do santo tempo da Quaresma. Ao longo do dia, foram celebradas três missas. A última, às 17h, foi presidida pelo Bispo Diocesano, Dom Dulcênio Fontes de Matos, que em sua homilia, propôs uma profunda reflexão a partir de três atitudes essenciais para o caminho quaresmal: “escutar, jejuar e amar”.

A celebração contou com a concelebração do Padre Luciano Guedes, Pároco da Catedral e Vigário Geral da Diocese, além da assistência litúrgica dos diáconos Anderson e Ricardo, e dos seminaristas. A missa reuniu grande número de fiéis presencialmente e também foi acompanhada por muitos por meio das redes sociais da Diocese e pela Rádio Caturité.

O sentido da Quarta-feira de Cinzas

A Quarta-feira de Cinzas celebra o início da Quaresma, período de 40 dias de preparação para a Páscoa no calendário litúrgico cristão. É um tempo forte de reflexão, arrependimento e conversão, no qual os fiéis são convidados a intensificar a vida espiritual por meio da oração, do jejum e da caridade.

Durante a celebração, os fiéis recebem a imposição das cinzas, sinal de humildade e penitência. As cinzas, geralmente provenientes dos ramos utilizados no Domingo de Ramos do ano anterior, são impostas na testa ou sobre a cabeça com as palavras: “Lembra-te que és pó e ao pó voltarás” ou “Convertei-vos e crede no Evangelho”. O gesto recorda a fragilidade humana e a necessidade de reconciliação com Deus.

Mais do que um rito externo, a Quarta-feira de Cinzas é um convite à renovação interior. Ao iniciar a caminhada quaresmal, a Igreja conclama os cristãos a prepararem o coração para celebrar a Páscoa do Senhor com fé renovada, espírito de penitência e compromisso concreto com o amor ao próximo.

Homilia de Dom Dulcênio

Dom Dulcênio refletiu sobre a primeira mensagem quaresmal do Papa Leão XIV, relacionando-a ao tripé que sustenta a Quaresma: oração, penitência e caridade.

Com o tema “Escutar e jejuar”, o Papa propõe um caminho concreto de renovação espiritual. Dom Dulcênio ressaltou que a Palavra de Deus é o instrumento dessa transformação, pois, acolhida com docilidade, renova a decisão de seguir Cristo no caminho que conduz à Páscoa.

“Tendo a Palavra de Deus como principal artífice deste nosso esforço pessoal, exorta-nos a que nos deixemos alcançar pela Palavra e a acolhamos com docilidade de espírito, vinculando “o dom da Palavra de Deus, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza”, renovando “a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe a Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua paixão, morte e ressurreição”, a Sua Páscoa, portanto”, disse.

Ao falar da oração, o bispo enfatizou que escutar Deus é o primeiro passo para uma relação verdadeira com Ele. A escuta atenta educa o coração a discernir a voz que clama no sofrimento e na injustiça, tornando a fé mais comprometida com a realidade.

“Escutar Deus “é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro”; com este grande Outro, Deus, “que nos envolve e, hoje, também vem até nós com os pensamentos que fazem vibrar o seu coração. Por isso, escutar a Palavra na liturgia educa-nos para uma escuta mais verdadeira da realidade”, pregou.

Sobre a penitência, explicou que o jejum é prática que dispõe a alma para acolher a Palavra, disciplina os desejos e recorda que a vida vai além das necessidades materiais. Trata-se de exercício de liberdade interior e de vigilância espiritual.

“O jejum, sobretudo, “é um exercício ascético muito antigo e insubstituível no caminho da conversão. Precisamente porque implica o corpo, torna mais evidente aquilo de que temos ‘fome’ e o que consideramos essencial para o nosso sustento”, pois, como sabemos pelo Evangelho das tentações do Senhor, “não só de pão vive o homem” (Mt 4,4)”, explicou.

Por fim, destacou que a caridade vai além da ajuda material e inclui atitudes concretas, inclusive no modo de falar e de se relacionar. A Quaresma deve transformar também nossa linguagem e nossas escolhas diárias.

“Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias. Em vez disso, esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs”, findou.

Por: Ascom
Fotos: Pascom Catedral



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