Encerramento do Crescer é Marcado pela Consagração da Diocese de Campina Grande a São Miguel Arcanjo

Postado em 18/02/26 às 00:2816 minutos de leitura63 views

Concluiu-se nesta terça-feira, 17 de fevereiro, o 29º Encontro da Família Católica – Crescer, que reuniu uma grande multidão no encerramento de sua edição deste ano, em Campina Grande. Realizado entre os dias 13 e 17 de fevereiro, o evento é promovido pela comunidade de São Pio X e, nesta edição, aconteceu em novo espaço: o Centro de Convenções de Campina Grande. A programação foi intensa ao longo dos cinco dias, com louvores, pregações, adoração, momentos de oração, shows e celebrações eucarísticas.

De acordo com os organizadores, mais de 130 mil pessoas passaram pelo encontro durante os cinco dias, além de um grande número de fiéis que acompanharam a programação por meio das transmissões. Considerado o maior encontro nacional da família católica no período de carnaval, o Crescer reafirmou sua força evangelizadora ao reunir famílias inteiras em torno da fé, da formação e da espiritualidade.

A Santa Missa de encerramento foi presidida pelo Bispo Diocesano, Dom Dulcênio Fontes de Matos, e contou com a participação de padres da Diocese de Campina Grande e de outras regiões, além de diáconos, seminaristas e autoridades civis. A celebração foi marcada por um clima de profunda espiritualidade e gratidão pelos frutos colhidos ao longo do encontro.

Consagrada da Diocese à São Miguel Arcanjo

Um dos momentos mais significativos do encerramento foi o rito de consagração da Diocese de Campina Grande a São Miguel Arcanjo. A celebração contou com a presença peregrina da imagem oficial do Arcanjo, proveniente do Santuário do Monte Gargano, local historicamente reconhecido pelas aparições de São Miguel e referência mundial de devoção.

Com a consagração, a Diocese de Campina Grande tornou-se a 18ª diocese do Brasil oficialmente consagrada ao Príncipe da Milícia Celeste. A peregrinação da imagem integra a missão nacional promovida pelo Instituto Hesed, intitulada “Grande Reconquista”. Esteve presente representando o Instituto, o Padre Emanuel Maria.

Ao final da celebração, como acontece tradicionalmente no Crescer, as famílias foram consagradas à Deus, em um momento repleto de emoção e fé.

Homilia

Iniciou refletindo sobre o tema “A minha família é uma bênção”, convidando os fiéis a reconhecer, à luz da Palavra, a grandeza de “ter” e “ser” família. Alertou para o uso banal da palavra “bênção”, recordando que benedictio significa “bendizer”, falar bem.

Em um tempo que relativiza a identidade familiar, exortou: mesmo entre desafios, a família continua sendo dom de Deus e sinal da Sua graça.

“Ora, num mundo que detrata a imagem da família com diversos contravalores, inclusive chamando família o que não é, urgente é propagarmos com a convicção, com a seriedade da fé: “A minha família é uma bênção!”, ainda que dos percalços e circunstâncias difíceis que encontramos, tantas vezes, dentro das quatro paredes de um lar cristão”, pregou.

Ao recordar a bênção do Matrimônio, destacou que a união nasce do desígnio divino e permanece abençoada, apesar das marcas do pecado. Citando o Gênesis, reafirmou que Deus viu que tudo era “muito bom” (cf. Gn 1,31). Assim, a família segue como espaço privilegiado da presença de Deus, chamada a refletir Seu amor no mundo.

“Ó Deus, vós unis a mulher ao marido e dais a esta união estabelecida desde o início a única bênção que não foi abolida, nem pelo castigo do pecado original, nem pela condenação do dilúvio... Logo, mesmo com o pecado dos nossos primeiros pais, Adão e Eva, e as consequências drásticas do pecado original, o Senhor nunca deixou de derramar abundante bênção à realidade que, na vida do mundo, é bênção e sinal visível de bênção, tal como se constitui a família” destacou.

O bispo sublinhou ainda que ser uma família-bênção é uma escolha diária. Inspirado em Moisés e Josué, recordou que optar por Deus é escolher a vida. Essa decisão exige santidade nas atitudes concretas: respeito, fidelidade, diálogo e perseverança nas provações.

“Ter” e “ser” uma família-bênção é uma escolha e, portanto, um projeto de vida. [...] Neste pensamento de escolher “ter” e “ser” uma família-bênção, é necessário que cada membro de um lar seja consciente da responsabilidade que lhe recai e que é demonstrativa do nosso seguimento a Jesus Cristo; de que o amamos e desejamos a santidade que vem de Deus para mim e para os meus”, sublinhou.

Por fim, afirmou que o Crescer é mais que um evento: é encontro com Cristo. As famílias foram chamadas a beber da “água viva”, renovar a oração no lar e assumir sua missão.

“O que vocês vieram fazer aqui no Crescer? Passear, fugir do carnaval de rua simplesmente? Não. Vocês vieram beber da fonte de água viva que o Crescer procurou oferecer nestes dias, através das pregações e celebrações litúrgicas: Jesus! O Crescer se preocupou em esclarecer que a família é verdadeiramente a nossa melhor escola, a escola das virtudes sociais e humanas. Que na família aprendemos a beleza da alteridade, da fraternidade, da solidariedade”, concluiu.

Por: Ascom
Fotos: Joaquim Urtiga e Ryan Caio (Equipe Diocesana)

Confira a Homilia na íntegra:

A minha família é uma bênção

Encerrando, da melhor maneira, estes dias de retiro de Carnaval em família, o tão querido “Crescer”, convido-lhes a que, à luz da Palavra de Deus, reflitamos - uma vez mais - sobre a bênção que é ter uma família; sobre a bênção que é ser família.

            Primeiramente, vejamos que circula um jargão de aparência jocosa e inofensiva, porém, na verdade, bastante perigoso, em chamar, de forma irônica, as situações e pessoas de “bênção”, sem a devida convicção do que realmente é a bênção. Pois bem, na sua etimologia, bênção vem do latim, benedictio (pronuncia-se “benedíccio”), bendizer, falar bem, louvar. Ora, num mundo que detrata a imagem da família com diversos contravalores, inclusive chamando família o que não é, urgente é propagarmos com a convicção, com a seriedade da fé: “A minha família é uma bênção!”, ainda que dos percalços e circunstâncias difíceis que encontramos, tantas vezes, dentro das quatro paredes de um lar cristão.

            Neste sentido, recordo-me de que, na celebração do Sacramento do Matrimônio, há a bênção matrimonial que, dentro de toda uma riqueza bíblico-teológica, inicia-se da seguinte maneira: “Ó Deus, vós unis a mulher ao marido e dais a esta união estabelecida desde o início a única bênção que não foi abolida, nem pelo castigo do pecado original, nem pela condenação do dilúvio. [E, reportando-se aos recém-casados] Volvei o vosso olhar de bondade sobre estes vossos filhos, que, unidos pelo vínculo do matrimônio, esperam ser fortalecidos pela vossa bênção”. Assim, por estas palavras vemos o eco do que viu Deus, ao criar o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança: “E Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom” (Gn 1,31). Logo, mesmo com o pecado dos nossos primeiros pais, Adão e Eva, e as consequências drásticas do pecado original, o Senhor nunca deixou de derramar abundante bênção à realidade que, na vida do mundo, é bênção e sinal visível de bênção, tal como se constitui a família.

            “Ter” e “ser” uma família-bênção é uma escolha e, portanto, um projeto de vida. Como não nos recordarmos de Moisés quando tratamos sobre escolha? Disse ele, inspirando o então povo eleito à opção irrevogável por Deus: “Tomo hoje o céu e a terra como testemunhas contra vós, de que vos propus a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e teus descendentes, amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz e apegando-te a ele – pois ele é a tua vida e prolonga os teus dias” (Dt 30,19-20). Ou mesmo recordamo-nos de Josué, quando estava o povo de Israel prestes a entrar na Terra Prometida: “[...] se vos desagrada servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses a quem vossos pais serviram no outro lado do rio ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor” (Js 24,15).

            Neste pensamento de escolher “ter” e “ser” uma família-bênção, é necessário que cada membro de um lar seja consciente da responsabilidade que lhe recai e que é demonstrativa do nosso seguimento a Jesus Cristo; de que o amamos e desejamos a santidade que vem de Deus para mim e para os meus. São Paulo, escrevendo aos Tessalonicenses a sua primeira Carta, afirma, com maiores descrições como ser bênção pela santidade para uma família que deve ser bênção para o mundo; testemunha, portanto: “Esta é a vontade de Deus: vivei na santidade, afastai-vos da impureza; cada um saiba tratar o seu parceiro conjugal com santidade e respeito, sem se deixar levar pelas paixões, como fazem os pagãos que não conhecem a Deus” (1Ts 4,3-5). Percebam, pais e filhos, tais palavras são para vocês que, constantemente, desejam fazer da bênção de Deus mais profusa e profunda nos seus lares!

            Entretanto, não nos esqueçamos de como São Tiago, na Primeira Leitura desta Santa Missa, também exorta a família cristã na continuidade de ser bênção: “Feliz o homem que suporta a provação. Porque, uma vez provado, receberá a coroa da vida,

que o Senhor prometeu àqueles que o amam” (Tg 1,12). Se, pessoalmente, quando suportamos as tentações, somos mais agraciados por Deus com as consolações do Alto, o que poderíamos dizer sobre uma família que, para agradar a Deus, luta junta contra os planos diabólicos que visam derrocá-la? As consolações são multiplicadas em tantos sentimentos tipicamente familiares: união, respeito, amor, comiseração, perdão, solidariedade, compreensão, diálogo…

            Que após estes dias de espiritualidade litúrgica, bíblica e familiar, como é o Crescer, vocês, famílias cristãs, famílias desta hora tão difícil para o mundo, saiam conscientes da bênção da qual tomam parte, da bênção que vocês formam pelo testemunho de vida de fé de um lar cristão, de um lar que, pela força de Cristo, se esmera na vivência das virtudes.

            Queridas famílias, o que vocês vieram fazer aqui no Crescer?    Passear, fugir do carnaval de rua simplesmente? Não. Vocês vieram beber da fonte de água viva que o Crescer procurou oferecer nestes dias, através das pregações e celebrações litúrgicas: Jesus!

            O Crescer se preocupou em esclarecer que a família é verdadeiramente a nossa melhor escola, a escola das virtudes sociais e humanas. Que na família aprendemos a beleza da alteridade, da fraternidade, da solidariedade; aprendemos a comensalidade; comer à mesma mesa. Ah! como seria bom se todos os homens entendessem que é preciso comer à mesma mesa, que todos tem direito à mesma mesa, ao mesmo pão, à mesma substância alimentícia, que se distribui a farta pelo mundo todo, só que desigualmente. A simplicidade que existe na família, é ouro encanto. Usamos linguagem própria, familiar: diminuitivos e, até apelidos. A simplicidade que existe dentro da família... Por isso podemos afirmar que a minha família é uma bênção.

            O Crescer também se preocupa em apontar os valores cristãos, por exemplo, a oração. Comece a rezar dentro da sua família, normalmente, e de pequeno. A própria fé se recebe como uma tradição santa e sacra que os pais passem por graça, por virtude de Deus. O Crescer também quis mostrar que as vocações para os diversos ministérios em prol do bem comum e em prol da Igreja, especialmente em prol da santidade das pessoas, se recebe na família, e que grandes empenhos proféticos hão de fazer-se em prol da família. Saber, por exemplo, que a família é a imagem de Deus: ela copia a própria imagem de Cristo, doando-se pela Igreja. Cristo dá à Igreja tudo: os seus ensinamentos, a sua vida toda, o seu sangue, enfim dá o seu “eu” todinho, e no final dessa doação, nascem os milhões e milhões de filhos que são exatamente os cristãos, os católicos: em virtude da doação e do altruísmo da entrega de Cristo. Este é o modelo, um dos exemplos da verdadeira doação que a família deve propiciar dentro da sua própria constituição.

            O Crescer falou, falou e falou sobre a família. Por isso eu chego à seguinte conclusão: podemos falar muito, mas a família precisa-se vive-la, precisa-se ter-se um coração familiar, precisa-se ter-se um espírito familiar, precisa-se ter-se uma noção do que seja de fato viver em família.

            Desejo a todas às famílias que seja uma família bonita e abençoada por Deus. Amém!



Comentários (0)