VI Domingo do Tempo Comum: Missa na Catedral e no Encontro Renascer, da Comunidade Shalom

Atualizado em 15/02/26 às 21:0711 minutos de leitura50 views

Celebrando o VI Domingo do Tempo Comum, o Bispo Diocesano de Campina Grande, Dom Dulcênio Fontes de Matos, presidiu a Santa Missa na Catedral de Nossa Senhora da Conceição, reunindo fiéis presentes e também aqueles que acompanharam pelas redes sociais e pela Rádio Caturité 104.1 FM. A celebração foi concelebrada pelo Pároco da Catedral e Vigário Geral, Padre Luciano Guedes, com assistência litúrgica do Diácono Ricardo e dos seminaristas.

Ao final da celebração, Dom Dulcênio convidou todos a participarem do encontro CRESCER, que acontece no Centro de Convenções de Campina Grande até a próxima terça-feira, dia 17. Na ocasião, o bispo encerrará o encontro com a Santa Missa e a Consagração da Família, além de um momento histórico para a Igreja Particular: a Diocese de Campina Grande será consagrada a São Miguel Arcanjo.

O bispo também convidou os fiéis para o lançamento da Campanha da Fraternidade, que neste ano traz como tema “Fraternidade e Moradia”. O evento acontecerá em nível regional, reunindo bispos, padres e leigos das 21 dioceses que compõem o Regional Nordeste 2 da CNBB, abrangendo os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas.

A programação completa pode ser conferida através deste link: https://encontrodafamiliacatolica.com.br/programacao/

Homilia

Refletiu sobre o chamado a “viver intensamente” a partir do Sermão da Montanha. Destacou que a fidelidade à sã doutrina não é peso, mas caminho de vida. À luz do Eclesiástico, recordou que observar os mandamentos conduz não apenas a uma vida biológica, mas à vida da graça, orientada para a eternidade.

O bispo ressaltou ainda que o homem é livre para escolher entre o bem e o mal, mas não está sozinho: Deus sustenta os corações sinceros com a Sua graça e acompanha cada passo na história.

“Nesta ocasião de passagem por este mundo, o Senhor não nos deixa no abandono; “os seus olhos estão voltados para os que o temem” (Eclo 15,20). Na Sua fidelidade, Deus promete permanecer nos corações sinceros e retos, tal como dizíamos na Oração de Coleta desta Missa; Ele auxilia-nos pela graça para chegarmos a habitar Nele”, disse.

Ao comentar o trecho do Evangelho, Dom Dulcênio alertou para o risco do subjetivismo religioso, que relativiza a doutrina e molda Deus à própria medida. Recordou que Cristo não veio abolir a Lei, mas levá-la ao pleno cumprimento.

“No longo Evangelho que acabamos de ouvir (cf. Mt 5,17-37), temos uma resposta de Jesus a um problema muito atual, onde muitos se dizem religiosos, mas, na realidade, vivem, pelo relativismo, no perigo de um subjetivismo religioso... “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5,17)”, pregou.

Por fim, evocando a Primeira Carta aos Coríntios, destacou a sabedoria de Deus revelada pelo Espírito, superior à lógica do mundo. Viver intensamente é viver desde já as verdades eternas.

“Viver de tal modo, cumprindo os mandamentos, previne-se de que a sua passagem por este mundo não seja escandalosa nem cause escândalos; antes, deseja viver Deus em todos os instantes e situações. Para a plenitude de vida, vivamos plenamente agora, porque esta vida deve refletir o que aguardamos; porque esta vida, livre em Deus, é um ato generoso do Seu amor. Aproveitemos tal dádiva singular!”, concluiu.

Missa no Encontro RENASCER, da Comunidade Católica Shalom

Ainda nesye domingo, mas a tarde, Dom Dulcênio presidiu a Santa Missa dentro da programação do Renascer, tradicional retiro de Carnaval promovido pela Comunidade Católica Shalom. A celebração integrou a agenda do encontro, que reúne fiéis para viver este período com espiritualidade e aprofundamento da fé.

A Missa foi celebrada no Centro de Formação Dom Luís Gonzaga Fernandes, localizado no bairro José Pinheiro. O Renascer chega à sua 14ª edição na cidade, consolidando-se como uma proposta evangelizadora durante o Carnaval, oferecendo aos participantes uma experiência de oração, partilha e renovação espiritual.

Com o tema “A nossa alegria é eterna”, o encontro segue até a próxima terça-feira, dia 17, com uma programação intensa e diversificada, que inclui pregações, celebrações eucarísticas, confissões, momentos de adoração e apresentações artísticas. O evento é gratuito e a programação completa pode ser acompanhada por meio do link: https://www.instagram.com/shalomcampinagrande?igsh=MTNpZHFhZTFvdXM4Yg==

Homilia

Dom Dulcênio refletiu sobre a “vera sabedoria”, inspirando-se no Salmo 110: temer a Deus é o princípio do saber. Explicou que esse temor não é medo, mas reverência filial, atitude livre de quem deseja agradar ao Senhor.

Recordando Adolphe Tanquerey, apresentou o dom do temor como graça do Espírito que aperfeiçoa a esperança e afasta do pecado. Esse dom inclina a vontade ao respeito filial e fortalece a confiança nos auxílios divinos.

“O dom do temor, que "aperfeiçoa juntamente as virtudes da esperança e da temperança: a primeira, porque nos faz aborrecer o ofender a Deus e o estar separados dele; a segunda, porque nos desapega dos falsos deleites que nos apartam de Deus" (n. 1335). Logo, na conjugação entre temor, liberdade e recompensa, Tanquerey arremata um conceito: o temor a Deus é “um dom que inclina a nossa vontade ao respeito filial de Deus, nos aparta do pecado”.

Ao tratar da vida moral, afirmou que viver de fé é aderir, na prática, à sabedoria divina, abandonando a vaidade de uma pseudo-sabedoria mundana. Citando a Primeira Carta aos Coríntios (2,6-10), ressaltou que o cristão participa da sabedoria revelada pelo Espírito.

“Viver de fé jamais acabrunha o homem; antes, o felicita... deixando de lado a vaidade de uma pseudo-sabedoria humana ou mundana, abrindo-se, portanto, ao Espírito que nos faz mergulhar no mistério... E nisto consiste a ousadia e o mistério do ser cristão, daquele que, “já e ainda não”, recebe a recompensa de uma vida eivada de Deus. Isso é ser feliz; isso é ser grande”, trouxe.

Apontou o temor de Deus como resposta ao relativismo que distorce a verdade e tenta “maquiar” Deus segundo critérios humanos. À luz do Evangelho de Mateus (5,17-18), reafirmou que Cristo levou a Lei ao pleno cumprimento, chamando à fidelidade à Revelação.

“Também pensemos neste dom do temor de Deus como resposta a uma tentação que, à medida em que a esteira da história rola, parece que se faz mais presente no coração das pessoas soberbas: o relativismo... O que era e sempre foi errado não o é mais; o deixado por Deus passa ao erro; escanteia-se Deus pelo desconhecimento, coroa-se um pseudo-deus; e o homem, desejoso de ser aquilo que nunca será, com uma pretensa felicidade que não existe de fato fora de Deus, cai, afunda-se e perde-se no seu vazio”, pregou.

E concluiu dizendo: “Um coração contrito e humilhado, ó Deus, não o desprezas” (Sl 50,19). Seja, portanto, o temor do Senhor o motivo para amá-Lo sobre todas as coisas e com toda a força do nosso ser, e, Nele, amemos o próximo, porque isto condensa toda a Lei (cf. Mt 22,40), afastando-nos da selvageria do paganismo e do relativismo.

Por: Ascom
Fotos: Pascom Catedral e Ryan Caio (Renascer)



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