VI Domingo do Tempo Comum: Missa na Catedral e no Encontro Renascer, da Comunidade Shalom
Celebrando o VI Domingo do Tempo Comum, o Bispo Diocesano de
Campina Grande, Dom Dulcênio Fontes de Matos, presidiu a Santa Missa na
Catedral de Nossa Senhora da Conceição, reunindo fiéis presentes e também
aqueles que acompanharam pelas redes sociais e pela Rádio Caturité 104.1 FM. A
celebração foi concelebrada pelo Pároco da Catedral e Vigário Geral, Padre
Luciano Guedes, com assistência litúrgica do Diácono Ricardo e dos seminaristas.
Ao final da celebração, Dom Dulcênio convidou todos a participarem
do encontro CRESCER, que acontece no Centro de Convenções de Campina Grande até
a próxima terça-feira, dia 17. Na ocasião, o bispo encerrará o encontro com a
Santa Missa e a Consagração da Família, além de um momento histórico para a
Igreja Particular: a Diocese de Campina Grande será consagrada a São Miguel
Arcanjo.
O bispo também convidou os fiéis para o lançamento da Campanha da
Fraternidade, que neste ano traz como tema “Fraternidade e Moradia”. O evento
acontecerá em nível regional, reunindo bispos, padres e leigos das 21 dioceses
que compõem o Regional Nordeste 2 da CNBB, abrangendo os estados da Paraíba,
Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas.
A programação completa pode ser conferida através deste link: https://encontrodafamiliacatolica.com.br/programacao/
Homilia
Refletiu sobre o chamado a “viver intensamente” a partir do Sermão
da Montanha. Destacou que a fidelidade à sã doutrina não é peso, mas caminho de
vida. À luz do Eclesiástico, recordou que observar os mandamentos conduz não
apenas a uma vida biológica, mas à vida da graça, orientada para a eternidade.
O bispo ressaltou ainda que o homem é livre para escolher entre o
bem e o mal, mas não está sozinho: Deus sustenta os corações sinceros com a Sua
graça e acompanha cada passo na história.
“Nesta ocasião de passagem por este mundo, o Senhor não nos deixa
no abandono; “os seus olhos estão voltados para os que o temem” (Eclo 15,20).
Na Sua fidelidade, Deus promete permanecer nos corações sinceros e retos, tal como
dizíamos na Oração de Coleta desta Missa; Ele auxilia-nos pela graça para
chegarmos a habitar Nele”, disse.
Ao comentar o trecho do Evangelho, Dom Dulcênio alertou para o
risco do subjetivismo religioso, que relativiza a doutrina e molda Deus à
própria medida. Recordou que Cristo não veio abolir a Lei, mas levá-la ao pleno
cumprimento.
“No longo Evangelho que acabamos de ouvir (cf. Mt 5,17-37), temos
uma resposta de Jesus a um problema muito atual, onde muitos se dizem
religiosos, mas, na realidade, vivem, pelo relativismo, no perigo de um
subjetivismo religioso... “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não
vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5,17)”, pregou.
Por fim, evocando a Primeira Carta aos Coríntios, destacou a
sabedoria de Deus revelada pelo Espírito, superior à lógica do mundo. Viver
intensamente é viver desde já as verdades eternas.
“Viver de tal modo, cumprindo os mandamentos, previne-se de que a
sua passagem por este mundo não seja escandalosa nem cause escândalos; antes,
deseja viver Deus em todos os instantes e situações. Para a plenitude de vida,
vivamos plenamente agora, porque esta vida deve refletir o que aguardamos;
porque esta vida, livre em Deus, é um ato generoso do Seu amor. Aproveitemos
tal dádiva singular!”, concluiu.
Missa no Encontro RENASCER, da Comunidade Católica Shalom
Ainda nesye domingo, mas a tarde, Dom Dulcênio presidiu a Santa
Missa dentro da programação do Renascer, tradicional retiro de Carnaval
promovido pela Comunidade Católica Shalom. A celebração integrou a agenda do
encontro, que reúne fiéis para viver este período com espiritualidade e
aprofundamento da fé.
A Missa foi celebrada no Centro de Formação Dom Luís Gonzaga
Fernandes, localizado no bairro José Pinheiro. O Renascer chega à sua 14ª
edição na cidade, consolidando-se como uma proposta evangelizadora durante o
Carnaval, oferecendo aos participantes uma experiência de oração, partilha e
renovação espiritual.
Com o tema “A nossa alegria é eterna”, o encontro segue até a
próxima terça-feira, dia 17, com uma programação intensa e diversificada, que
inclui pregações, celebrações eucarísticas, confissões, momentos de adoração e
apresentações artísticas. O evento é gratuito e a programação completa pode ser
acompanhada por meio do link: https://www.instagram.com/shalomcampinagrande?igsh=MTNpZHFhZTFvdXM4Yg==
Homilia
Dom Dulcênio refletiu sobre a “vera sabedoria”, inspirando-se no
Salmo 110: temer a Deus é o princípio do saber. Explicou que esse temor não é
medo, mas reverência filial, atitude livre de quem deseja agradar ao Senhor.
Recordando Adolphe Tanquerey, apresentou o dom do temor como graça
do Espírito que aperfeiçoa a esperança e afasta do pecado. Esse dom inclina a
vontade ao respeito filial e fortalece a confiança nos auxílios divinos.
“O dom do temor, que "aperfeiçoa juntamente as virtudes da
esperança e da temperança: a primeira, porque nos faz aborrecer o ofender a
Deus e o estar separados dele; a segunda, porque nos desapega dos falsos
deleites que nos apartam de Deus" (n. 1335). Logo, na conjugação entre
temor, liberdade e recompensa, Tanquerey arremata um conceito: o temor a Deus é
“um dom que inclina a nossa vontade ao respeito filial de Deus, nos aparta do
pecado”.
Ao tratar da vida moral, afirmou que viver de fé é aderir, na
prática, à sabedoria divina, abandonando a vaidade de uma pseudo-sabedoria
mundana. Citando a Primeira Carta aos Coríntios (2,6-10), ressaltou que o
cristão participa da sabedoria revelada pelo Espírito.
“Viver de fé jamais acabrunha o homem; antes, o felicita... deixando
de lado a vaidade de uma pseudo-sabedoria humana ou mundana, abrindo-se,
portanto, ao Espírito que nos faz mergulhar no mistério... E nisto consiste a
ousadia e o mistério do ser cristão, daquele que, “já e ainda não”, recebe a
recompensa de uma vida eivada de Deus. Isso é ser feliz; isso é ser grande”,
trouxe.
Apontou o temor de Deus como resposta ao relativismo que distorce
a verdade e tenta “maquiar” Deus segundo critérios humanos. À luz do Evangelho
de Mateus (5,17-18), reafirmou que Cristo levou a Lei ao pleno cumprimento,
chamando à fidelidade à Revelação.
“Também pensemos neste dom do temor de Deus como resposta a uma
tentação que, à medida em que a esteira da história rola, parece que se faz
mais presente no coração das pessoas soberbas: o relativismo... O que era e
sempre foi errado não o é mais; o deixado por Deus passa ao erro; escanteia-se
Deus pelo desconhecimento, coroa-se um pseudo-deus; e o homem, desejoso de ser
aquilo que nunca será, com uma pretensa felicidade que não existe de fato fora
de Deus, cai, afunda-se e perde-se no seu vazio”, pregou.
E concluiu dizendo: “Um coração contrito e humilhado, ó Deus, não
o desprezas” (Sl 50,19). Seja, portanto, o temor do Senhor o motivo para amá-Lo
sobre todas as coisas e com toda a força do nosso ser, e, Nele, amemos o
próximo, porque isto condensa toda a Lei (cf. Mt 22,40), afastando-nos da
selvageria do paganismo e do relativismo.
Por:
Ascom
Fotos: Pascom Catedral e Ryan Caio (Renascer)




































