4º Domingo do Tempo Comum: Missa na Catedral e em São Sebastião de Lagoa de Roça

Atualizado em 01/02/26 às 23:3314 minutos de leitura49 views

Celebrando o Quarto Domingo do Tempo Comum, neste dia 1º de fevereiro, o Bispo Diocesano de Campina Grande, Dom Dulcênio Fontes de Matos, presidiu pela manhã a Santa Missa na Catedral Diocesana de Nossa Senhora da Conceição. A celebração reuniu dezenas de fiéis presencialmente e também muitos que acompanharam pelas transmissões da Rádio Catolé FM, além do canal oficial da Diocese de Campina Grande e do Abraço da Fé Produções.

Concelebraram a Eucaristia o Pároco da Catedral e Vigário Geral da Diocese, Padre Luciano Guedes, e o Padre Luciano Lima, da Diocese de Jataí, no estado de Goiás, e, natural de Guarabira (PB); a assistência ficou por conta do diácono Ricardo e seminaristas.

Homilia

A Liturgia deste Domingo, com o início do Sermão das Bem-Aventuranças, leva-nos a refletir sobre quem são, de fato, os pobres. Dom Dulcênio recordou que Jesus, ao subir ao monte para ensinar, aponta para uma pobreza que não se limita ao aspecto material, mas revela uma dimensão espiritual essencial para a vida cristã.

“Pensemos sobre o justo conceito de pobres, sem distorções ideológicas ou "arrazoados" superficialmente financeiros. Primeiramente, percebemos que, na Sua atitude de Mestre para a vida espiritual dos cristãos (maestria única, diga-se de passagem), "vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se" (Mt 5,1), porque é Ele mesmo quem encarna em si tudo o que vai ensinar àqueles que desejam, de sincero coração, com Ele aprender”, disse.

A primeira bem-aventurança — “Bem-aventurados os pobres em espírito” (Mt 5,3) — sustenta todas as outras. O bispo destacou que o próprio Cristo é o modelo dessa pobreza, pois se esvaziou de si mesmo ao assumir a condição humana, revelando que a verdadeira riqueza é Deus.

“Embora fosse de divina condição, Cristo Jesus não se apegou ciosamente a ser igual em natureza a Deus Pai. Porém esvaziou-se de sua glória e assumiu a condição de um escravo, fazendo-se aos homens semelhantes. Reconhecido exteriormente como homem, humilhou-se, obedecendo até à morte, até à morte humilhante numa cruz" (Fl 2,6-8), como "contou" o Apóstolo São Paulo. Assim, foi assumindo a nossa pobreza essencial que Ele nos deu a riqueza de Deus, a riqueza que é Deus; Ele, o nosso modelo”, destacou.

À luz do profeta Sofonias, Dom Dulcênio esclareceu que pobre é aquele que busca o Senhor, pratica a justiça e vive a humildade (cf. Sf 2,3). Essa pobreza espiritual abre o coração para Deus e para o próximo, conduzindo à comunhão com Cristo e à verdadeira paz.

Ser pobre em espírito é uma vocação universal. Deus escolhe aqueles que o mundo despreza, porque desejam possuir unicamente a Ele. Dom Dulcênio concluiu que somente quem se esvazia de si mesmo alcança a verdadeira alegria e a recompensa prometida por Cristo.

“Os que se empobrecem de si mesmos e consequentemente desejam Deus como único bem valioso candidatam-se - e logram - à verdadeira alegria e exultação. Isso porque, como concluiu Jesus, "será grande a vossa recompensa nos céus" (Mt 5,12a). As riquezas do mundo e da soberba de si nunca satisfazem o coração humano que sempre deseja o "infinitamente mais". Mas, como pode buscar o "infinitamente mais" no que é perecível? Somente um é quem nos dá o infinito: Aquele cujo Ser faz brotar todos os seres; Aquele que, sendo o nosso bem, concede-nos tudo o que necessitamos;”, findou.

Missa com Investidura de novos Ministros em S. Sebastião de Lagoa de Roça

Já no período da noite, Dom Dulcênio seguiu para a cidade de São Sebastião de Lagoa de Roça, onde presidiu a Missa na Igreja matriz. Durante a celebração, aconteceu a investidura de 16 novos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão, em um momento marcado pela fé, compromisso e serviço à Igreja.

O bispo foi acolhido pela Comunidade Paroquial, pelo Pároco local, Padre Fagner, e pelo diácono Hélio. Ao final da Missa, Dom Dulcênio e o Pároco agradeceram aos novos ministros pelo “sim” dado ao serviço, que já vinha sendo exercido nas comunidades e agora é confirmado de forma ainda mais plena. A celebração contou também com a presença de outros ministros que renovaram seu compromisso durante a Eucaristia.

Homilia

Dom Dulcênio refletiu sobre o primeiro grande discurso de Jesus, proclamado no monte, às margens do Lago da Galileia. Ao subir e sentar-se para ensinar, o Senhor revela-se como o novo Moisés, comunicando não uma ideologia, mas uma palavra que vem do Alto e ilumina a condição humana.

“Neste discurso, chama-nos atenção os gestos do Senhor: “vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los” (Mt 5,1-2). Jesus, novo Moisés, “toma o seu lugar na ‘cátedra’ da montanha” (Gesù di Nazaret, Milano 2007, p. 88) e proclama “bem-aventurados” os pobres de espírito, os aflitos, os misericordiosos, quantos têm fome de justiça, os puros de coração e os que são perseguidos (cf. Mt 5,3-10). Não se trata de uma nova ideologia, mas de um ensinamento que vem do Alto e diz respeito à condição humana”, refletiu.

As Bem-Aventuranças constituem um verdadeiro programa de vida cristã, libertando dos falsos valores do mundo e conduzindo aos bens autênticos. Inspirado em Bento XVI, Dom Dulcênio recordou que esse ensinamento só pode ser vivido no seguimento de Jesus, no caminho com Ele.

“O Sermão da montanha é dirigido ao mundo inteiro, no presente e no futuro … e só pode ser compreendido e vivido no seguimento de Jesus, no caminho com Ele” (Gesù di Nazaret, p. 92). As Bem-Aventuranças constituem um novo programa de vida, para nos libertarmos dos falsos valores do mundo e nos abrirmos aos bens verdadeiros, presentes e futuros”.

Dom Dulcênio destacou que as Bem-Aventuranças refletem a própria vida de Cristo, que assume a cruz, a perseguição e o desprezo para oferecer a salvação à humanidade. Assim, a história da Igreja confirma que Deus escolhe o que o mundo considera fraco.

“As Bem-Aventuranças são a transposição da cruz e da ressurreição na existência dos discípulos” (Ibid., p. 97). Elas refletem a vida do Filho de Deus, que se deixa perseguir e desprezar até à condenação à morte, a fim de que aos homens seja concedida a salvação... ‘Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido, para assim confundir os sábios; Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante”, destacou.

Por fim, o bispo, citando Santo Agostinho, exortou os fiéis a não temerem a pobreza, o desprezo e a perseguição, mas a vivê-los com alegria por amor a Cristo. Confiantes na intercessão da Virgem Maria, somos chamados a buscar o Senhor e a seguir o caminho das Bem-Aventuranças.

“Santo Agostinho recorda-nos que “não é útil padecer tais males, mas suportá-los pelo nome de Jesus, não apenas com o espírito tranquilo, mas também com alegria” (De sermone Domini in monte, I, 5, 13: CCL 35, 13). Caros irmãos e irmãs, invoquemos a Virgem Maria, a Bem-Aventurada por excelência porque acreditou (cf. Lc 1,45), pedindo a força para procurar o Senhor (cf. Sf 2,3) e para O seguir sempre com alegria, no caminho das Bem-Aventuranças”, concluiu.

Por: Ascom
Fotos: Pascom Catedral e Pascom de S. Sebastião de Lagoa de Roça


FOTOS EM S. SEBASTIÃO DE LAGOA E ROÇA


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