Seminário Diocesano Realiza Simpósio Sobre um Olhar Pastoral sobre a Inteligência Artificial
O
Centro de Estudos Acadêmicos do Seminário Diocesano São João Maria Vianney está
realizando o Simpósio de Filosofia e Teologia, que neste ano traz como tema
“Inovação e Responsabilidade: um olhar pastoral sobre a Inteligência
Artificial”. O evento acontece no Auditório Diocesano Dom Anselmo Pietrulla,
OFM, localizado no Seminário, Bairro Alto Branco, em Campina Grande, e se estende
até a próxima quarta-feira, dia 29 de outubro.
A
abertura do simpósio aconteceu na noite desta segunda-feira (27), reunindo Padres,
Diáconos, Seminaristas, leigos, agentes da Pastoral da Comunicação (Pascom) e o
Bispo Diocesano de Campina Grande, Dom Dulcênio Fontes de Matos. A recepção aos
participantes contou com a apresentação da banda filarmônica São Domingos de
Gusmão e Nossa Senhora da Imaculada Conceição, de São Domingos do Cariri e
Cabaceiras.
Alocução
de Dom Dulcênio
Em
sua fala inaugural, Dom Dulcênio apresentou uma
reflexão sobre o papel da Igreja diante dos desafios da Inteligência Artificial (IA). O bispo
destacou que a IA já não é ficção científica, mas realidade concreta que transforma a
economia, a educação, a comunicação e até a forma como as pessoas se relacionam
com Deus e com o próximo.
Diante dessa mudança de época, Dom Dulcênio afirmou que a Igreja é
chamada a escutar, dialogar e discernir,
evitando tanto o medo quanto o entusiasmo ingênuo. A filosofia, disse ele,
ajuda a perguntar o que é a inteligência e a liberdade, enquanto a teologia
recorda que o homem é imagem e semelhança de Deus, portador de uma dignidade
que não pode ser reduzida a algoritmos ou dados.
“A Igreja é chamada a se colocar em posição de escuta, de diálogo e de
discernimento, evitando tanto o medo paralisante quanto o entusiasmo ingênuo...
O homem é imagem e semelhança de Deus, e não o contrário, portador de uma
dignidade que não pode ser reduzida a dados, algoritmos ou eficiência digital.”
O bispo lembrou que máquinas podem calcular e decidir, mas não amar, perdoar ou rezar,
e que o olhar da Igreja deve ser profundamente pastoral, cuidando das pessoas
num mundo mediado por tecnologias.
“Máquinas podem calcular e decidir, mas não podem amar, perdoar, rezar,
se alegrar, sofrer com o outro ou acolher a graça de Deus. O olhar da Igreja
deve ser profundamente pastoral: não basta analisar a tecnologia, é preciso
perguntar como cuidar das pessoas num mundo mediado por telas, redes e
inteligências artificiais.”
Citando a nota Antiqua et Nova, Dom Dulcênio ressaltou a diferença entre a
inteligência humana, modelada por Deus, e a artificial, mero produto da criação
humana.
“Enganoso usar a própria palavra inteligência em referência à
Inteligência Artificial: ela não é uma forma artificial de inteligência, mas
apenas um produto da inteligência humana.”
Encerrando, recordou as palavras de São João Paulo II e de São Pedro, conclamando os
participantes a dar razão da
esperança cristã e a permitir que o simpósio os ajude a crescer
na fé, esperança e caridade.
“Antes, santificai a Cristo, o Senhor, em vossos
corações, estando sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele
que vo-la pede. Que este simpósio, pela intercessão da Virgem Santíssima, Mãe
da Sabedoria, possa nos ajudar a crescer na fé, esperança e caridade.”, findou.
O
Padre Leandro de Normandia, Reitor do seminário, acolheu os participantes e
sublinhou que, “apesar dos avanços tecnológicos, o homem continua sendo um
mistério a ser compreendido”. Ele exortou os presentes a saborearem o
conhecimento que será partilhado nesses dias e a aproveitarem cada momento de
estudo e reflexão.
Também
participaram da abertura o Padre Joseque, Vice Reitor do Seminário, o Padre
João Jorge, Diretor do Centro de Estudos, a Professora Rosa de Lourdes,
Coordenadora Pedagógica do Centro de Estudos Acadêmicos, e o Coordenador do Curso
de Filosofia, Professor Dr. José Nilton.
Primeira
Palestra
O
primeiro dia do simpósio contou com a palestra do Diácono, Professor e Doutor
Danilo Vasconcelos, que abordou o tema “A natureza da mente e os fundamentos da
inteligência artificial”. A exposição do palestrante trouxe reflexões sobre a
complexidade da mente humana, os limites do pensamento maquinal e os princípios
éticos que devem orientar o uso das novas tecnologias.
A
fala do professor durante o simpósio apresentou uma reflexão crítica e
ponderada sobre a natureza da
mente e os fundamentos da inteligência artificial, conduzindo o
público a uma análise equilibrada entre os avanços tecnológicos e suas
implicações éticas e sociais.
Em sua exposição, o professor destacou que a inteligência artificial já faz parte do
cotidiano humano, estando integrada de forma quase imperceptível
nas diversas dimensões da vida social. Contudo, ele alertou para a necessidade
de compreender até que ponto
essa tecnologia pode se aproximar ou mesmo tentar reproduzir as capacidades da
mente humana, um debate que toca profundamente nas questões
filosóficas sobre o que é consciência, raciocínio e autonomia.
De modo sereno, Vasconcelos procurou tranquilizar o público quanto aos temores apocalípticos
frequentemente retratados em produções cinematográficas, afirmando que a
possibilidade de uma dominação total da inteligência artificial ainda está
distante da realidade. No entanto, ressaltou que os desafios éticos e sociais já são concretos,
sobretudo no campo do trabalho e nas estruturas de poder que podem acentuar
desigualdades e comprometer a dignidade humana.
Ao propor essa reflexão, o professor situou a discussão dentro de
um horizonte mais amplo: o da responsabilidade humana diante do progresso tecnológico.
Para ele, pensar criticamente sobre o uso e o desenvolvimento da inteligência
artificial é fundamental para que o avanço não se converta em instrumento de
opressão, mas em ferramenta a
serviço da vida e da justiça social.
Por: Ascom
Fotos: Dvanilson Marinho































