Seminário Diocesano Realiza Simpósio Sobre um Olhar Pastoral sobre a Inteligência Artificial

Atualizado em 27/10/25 às 23:3710 minutos de leitura144 views

O Centro de Estudos Acadêmicos do Seminário Diocesano São João Maria Vianney está realizando o Simpósio de Filosofia e Teologia, que neste ano traz como tema “Inovação e Responsabilidade: um olhar pastoral sobre a Inteligência Artificial”. O evento acontece no Auditório Diocesano Dom Anselmo Pietrulla, OFM, localizado no Seminário, Bairro Alto Branco, em Campina Grande, e se estende até a próxima quarta-feira, dia 29 de outubro.

A abertura do simpósio aconteceu na noite desta segunda-feira (27), reunindo Padres, Diáconos, Seminaristas, leigos, agentes da Pastoral da Comunicação (Pascom) e o Bispo Diocesano de Campina Grande, Dom Dulcênio Fontes de Matos. A recepção aos participantes contou com a apresentação da banda filarmônica São Domingos de Gusmão e Nossa Senhora da Imaculada Conceição, de São Domingos do Cariri e Cabaceiras.

Alocução de Dom Dulcênio

Em sua fala inaugural, Dom Dulcênio apresentou uma reflexão sobre o papel da Igreja diante dos desafios da Inteligência Artificial (IA). O bispo destacou que a IA já não é ficção científica, mas realidade concreta que transforma a economia, a educação, a comunicação e até a forma como as pessoas se relacionam com Deus e com o próximo.

Diante dessa mudança de época, Dom Dulcênio afirmou que a Igreja é chamada a escutar, dialogar e discernir, evitando tanto o medo quanto o entusiasmo ingênuo. A filosofia, disse ele, ajuda a perguntar o que é a inteligência e a liberdade, enquanto a teologia recorda que o homem é imagem e semelhança de Deus, portador de uma dignidade que não pode ser reduzida a algoritmos ou dados.

“A Igreja é chamada a se colocar em posição de escuta, de diálogo e de discernimento, evitando tanto o medo paralisante quanto o entusiasmo ingênuo... O homem é imagem e semelhança de Deus, e não o contrário, portador de uma dignidade que não pode ser reduzida a dados, algoritmos ou eficiência digital.”

O bispo lembrou que máquinas podem calcular e decidir, mas não amar, perdoar ou rezar, e que o olhar da Igreja deve ser profundamente pastoral, cuidando das pessoas num mundo mediado por tecnologias.

“Máquinas podem calcular e decidir, mas não podem amar, perdoar, rezar, se alegrar, sofrer com o outro ou acolher a graça de Deus. O olhar da Igreja deve ser profundamente pastoral: não basta analisar a tecnologia, é preciso perguntar como cuidar das pessoas num mundo mediado por telas, redes e inteligências artificiais.”

Citando a nota Antiqua et Nova, Dom Dulcênio ressaltou a diferença entre a inteligência humana, modelada por Deus, e a artificial, mero produto da criação humana.

“Enganoso usar a própria palavra inteligência em referência à Inteligência Artificial: ela não é uma forma artificial de inteligência, mas apenas um produto da inteligência humana.”

Encerrando, recordou as palavras de São João Paulo II e de São Pedro, conclamando os participantes a dar razão da esperança cristã e a permitir que o simpósio os ajude a crescer na fé, esperança e caridade.

“Antes, santificai a Cristo, o Senhor, em vossos corações, estando sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pede. Que este simpósio, pela intercessão da Virgem Santíssima, Mãe da Sabedoria, possa nos ajudar a crescer na fé, esperança e caridade.”, findou.

O Padre Leandro de Normandia, Reitor do seminário, acolheu os participantes e sublinhou que, “apesar dos avanços tecnológicos, o homem continua sendo um mistério a ser compreendido”. Ele exortou os presentes a saborearem o conhecimento que será partilhado nesses dias e a aproveitarem cada momento de estudo e reflexão.

Também participaram da abertura o Padre Joseque, Vice Reitor do Seminário, o Padre João Jorge, Diretor do Centro de Estudos, a Professora Rosa de Lourdes, Coordenadora Pedagógica do Centro de Estudos Acadêmicos, e o Coordenador do Curso de Filosofia, Professor Dr. José Nilton.

Primeira Palestra

O primeiro dia do simpósio contou com a palestra do Diácono, Professor e Doutor Danilo Vasconcelos, que abordou o tema “A natureza da mente e os fundamentos da inteligência artificial”. A exposição do palestrante trouxe reflexões sobre a complexidade da mente humana, os limites do pensamento maquinal e os princípios éticos que devem orientar o uso das novas tecnologias.

A fala do professor durante o simpósio apresentou uma reflexão crítica e ponderada sobre a natureza da mente e os fundamentos da inteligência artificial, conduzindo o público a uma análise equilibrada entre os avanços tecnológicos e suas implicações éticas e sociais.

Em sua exposição, o professor destacou que a inteligência artificial já faz parte do cotidiano humano, estando integrada de forma quase imperceptível nas diversas dimensões da vida social. Contudo, ele alertou para a necessidade de compreender até que ponto essa tecnologia pode se aproximar ou mesmo tentar reproduzir as capacidades da mente humana, um debate que toca profundamente nas questões filosóficas sobre o que é consciência, raciocínio e autonomia.

De modo sereno, Vasconcelos procurou tranquilizar o público quanto aos temores apocalípticos frequentemente retratados em produções cinematográficas, afirmando que a possibilidade de uma dominação total da inteligência artificial ainda está distante da realidade. No entanto, ressaltou que os desafios éticos e sociais já são concretos, sobretudo no campo do trabalho e nas estruturas de poder que podem acentuar desigualdades e comprometer a dignidade humana.

Ao propor essa reflexão, o professor situou a discussão dentro de um horizonte mais amplo: o da responsabilidade humana diante do progresso tecnológico. Para ele, pensar criticamente sobre o uso e o desenvolvimento da inteligência artificial é fundamental para que o avanço não se converta em instrumento de opressão, mas em ferramenta a serviço da vida e da justiça social.

Por: Ascom
Fotos: Dvanilson Marinho


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