Diocese de Campina Grande Acolhe Projeto “Mesmo que ninguém veja” no Combate à Violência Contra a Mulher
Iniciativa do Tribunal de Justiça da Paraíba busca fortalecer a
prevenção, a conscientização e a rede de acolhimento às mulheres em situação de
violência, com a participação da Igreja.
A Diocese de Campina Grande realizou, na manhã desta terça-feira, 27
de outubro, uma reunião extraordinária do Conselho Diocesano de Pastoral (CDP),
no Seminário Diocesano São João Maria Vianney. O encontro reuniu o Bispo Diocesano,
Dom Dulcênio Fontes de Matos, sacerdotes, coordenadores de comissões,
representantes de pastorais e movimentos, além dos integrantes da comissão
responsável pelo projeto “Mesmo que ninguém veja”, iniciativa do Tribunal de
Justiça da Paraíba (TJPB) voltada ao combate à violência contra a mulher.
A reunião teve como objetivo apresentar a proposta e ampliar a
participação da Igreja na rede de proteção e acolhimento às mulheres em
situação de violência. O projeto, que já chegou à Arquidiocese da Paraíba,
avança agora para a Diocese de Campina Grande, estabelecendo uma parceria entre
o Poder Judiciário e a Igreja, com o propósito de fortalecer ações educativas e
preventivas em todo o território diocesano.
Participaram da apresentação a juíza Graziela Queiroga, Padre
Mário Silva, da Arquidiocese da Paraíba, a professora Nilda Vaz.
Igreja fortalece sua missão de acolhimento e defesa da mulher
Durante o encontro, Dom Dulcênio acolheu os participantes e
agradeceu à comissão pela apresentação do projeto, ressaltando que a defesa da
mulher não é uma preocupação recente da Igreja, mas parte de sua missão
pastoral. Segundo o bispo, a parceria com o Tribunal de Justiça representa um
passo importante para intensificar esse compromisso, envolvendo sacerdotes,
agentes de pastoral, movimentos e leigos na prevenção e no enfrentamento da
violência.
O bispo também destacou que muitas mulheres procuram a Igreja em
busca de orientação espiritual, seja por meio da confissão ou do acompanhamento
com os sacerdotes. Por isso, ressaltou a importância de uma Igreja atenta às
situações de sofrimento e preparada para acolher quem precisa de ajuda. Ao
recordar a figura de Maria Santíssima, Dom Dulcênio enfatizou que o cuidado e a
valorização da mulher fazem parte da caminhada da Igreja desde suas origens.
Parceria entre Justiça e Igreja amplia a rede de proteção
A juíza Gabriela Queiroga, que também atua na coordenação de ações
voltadas às mulheres em situação de violência doméstica, ressaltou a
importância da parceria entre o Tribunal de Justiça e as instituições
religiosas. Segundo ela, muitas mulheres procuram inicialmente o apoio
religioso antes de recorrer aos órgãos da Justiça, o que torna os espaços de fé
importantes pontos de acolhimento, orientação e encaminhamento.
O Padre Mário Silva também chamou a atenção para o papel dos
sacerdotes nesse processo. Em muitos casos, o padre é uma das primeiras pessoas
procuradas por mulheres que vivenciam situações de violência. Por isso,
destacou a necessidade de preparar os religiosos para acolher essas vítimas com
sensibilidade e responsabilidade, compreendendo como agir e quais medidas devem
ser tomadas diante de cada situação.
A iniciativa busca, ainda, conscientizar lideranças religiosas,
agentes de pastoral e leigos sobre a importância de reconhecer situações de
violência e contribuir para a proteção das mulheres. A proposta é reforçar que
nenhuma mulher precisa enfrentar essa realidade sozinha e que a Igreja deseja
ser um espaço seguro de escuta, acolhimento e orientação.
Formação e conscientização nas paróquias
Na Diocese de Campina Grande, o Padre Danilo César ficará
responsável pela coordenação do projeto. Durante a apresentação, ele destacou a
educação e a prevenção como bases fundamentais da iniciativa, ressaltando a
presença da Igreja em diferentes realidades, tanto na zona urbana quanto nas
comunidades rurais.
A partir da apresentação, serão desenvolvidas ações formativas nas
paróquias, por meio das foranias, envolvendo sacerdotes, pastorais, movimentos
e agentes de evangelização. A proposta é ampliar o conhecimento sobre a
violência contra a mulher, fortalecer a conscientização e contribuir para a
construção de uma rede de apoio articulada com o Tribunal de Justiça da Paraíba.
Com a chegada do projeto “Mesmo que ninguém veja”, a Diocese de
Campina Grande reafirma seu compromisso com a defesa da dignidade humana e com
o enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa fortalece uma missão
que a Igreja já realiza por meio do acolhimento pastoral e humano, ampliando
sua atuação na dimensão sociotransformadora e promovendo uma cultura de
prevenção, proteção e cuidado.
Por:
Ascom
Fotos: Dvanilson Marinho
























