Diocese de Campina Grande Acolhe Projeto “Mesmo que ninguém veja” no Combate à Violência Contra a Mulher

Postado em 27/10/26 às 14:027 minutos de leitura77 views

Iniciativa do Tribunal de Justiça da Paraíba busca fortalecer a prevenção, a conscientização e a rede de acolhimento às mulheres em situação de violência, com a participação da Igreja.

A Diocese de Campina Grande realizou, na manhã desta terça-feira, 27 de outubro, uma reunião extraordinária do Conselho Diocesano de Pastoral (CDP), no Seminário Diocesano São João Maria Vianney. O encontro reuniu o Bispo Diocesano, Dom Dulcênio Fontes de Matos, sacerdotes, coordenadores de comissões, representantes de pastorais e movimentos, além dos integrantes da comissão responsável pelo projeto “Mesmo que ninguém veja”, iniciativa do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) voltada ao combate à violência contra a mulher.

A reunião teve como objetivo apresentar a proposta e ampliar a participação da Igreja na rede de proteção e acolhimento às mulheres em situação de violência. O projeto, que já chegou à Arquidiocese da Paraíba, avança agora para a Diocese de Campina Grande, estabelecendo uma parceria entre o Poder Judiciário e a Igreja, com o propósito de fortalecer ações educativas e preventivas em todo o território diocesano.

Participaram da apresentação a juíza Graziela Queiroga, Padre Mário Silva, da Arquidiocese da Paraíba, a professora Nilda Vaz.

Igreja fortalece sua missão de acolhimento e defesa da mulher

Durante o encontro, Dom Dulcênio acolheu os participantes e agradeceu à comissão pela apresentação do projeto, ressaltando que a defesa da mulher não é uma preocupação recente da Igreja, mas parte de sua missão pastoral. Segundo o bispo, a parceria com o Tribunal de Justiça representa um passo importante para intensificar esse compromisso, envolvendo sacerdotes, agentes de pastoral, movimentos e leigos na prevenção e no enfrentamento da violência.

O bispo também destacou que muitas mulheres procuram a Igreja em busca de orientação espiritual, seja por meio da confissão ou do acompanhamento com os sacerdotes. Por isso, ressaltou a importância de uma Igreja atenta às situações de sofrimento e preparada para acolher quem precisa de ajuda. Ao recordar a figura de Maria Santíssima, Dom Dulcênio enfatizou que o cuidado e a valorização da mulher fazem parte da caminhada da Igreja desde suas origens.

Parceria entre Justiça e Igreja amplia a rede de proteção

A juíza Gabriela Queiroga, que também atua na coordenação de ações voltadas às mulheres em situação de violência doméstica, ressaltou a importância da parceria entre o Tribunal de Justiça e as instituições religiosas. Segundo ela, muitas mulheres procuram inicialmente o apoio religioso antes de recorrer aos órgãos da Justiça, o que torna os espaços de fé importantes pontos de acolhimento, orientação e encaminhamento.

O Padre Mário Silva também chamou a atenção para o papel dos sacerdotes nesse processo. Em muitos casos, o padre é uma das primeiras pessoas procuradas por mulheres que vivenciam situações de violência. Por isso, destacou a necessidade de preparar os religiosos para acolher essas vítimas com sensibilidade e responsabilidade, compreendendo como agir e quais medidas devem ser tomadas diante de cada situação.

A iniciativa busca, ainda, conscientizar lideranças religiosas, agentes de pastoral e leigos sobre a importância de reconhecer situações de violência e contribuir para a proteção das mulheres. A proposta é reforçar que nenhuma mulher precisa enfrentar essa realidade sozinha e que a Igreja deseja ser um espaço seguro de escuta, acolhimento e orientação.

Formação e conscientização nas paróquias

Na Diocese de Campina Grande, o Padre Danilo César ficará responsável pela coordenação do projeto. Durante a apresentação, ele destacou a educação e a prevenção como bases fundamentais da iniciativa, ressaltando a presença da Igreja em diferentes realidades, tanto na zona urbana quanto nas comunidades rurais.

A partir da apresentação, serão desenvolvidas ações formativas nas paróquias, por meio das foranias, envolvendo sacerdotes, pastorais, movimentos e agentes de evangelização. A proposta é ampliar o conhecimento sobre a violência contra a mulher, fortalecer a conscientização e contribuir para a construção de uma rede de apoio articulada com o Tribunal de Justiça da Paraíba.

Com a chegada do projeto “Mesmo que ninguém veja”, a Diocese de Campina Grande reafirma seu compromisso com a defesa da dignidade humana e com o enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa fortalece uma missão que a Igreja já realiza por meio do acolhimento pastoral e humano, ampliando sua atuação na dimensão sociotransformadora e promovendo uma cultura de prevenção, proteção e cuidado.

Por: Ascom
Fotos: Dvanilson Marinho



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