A Virgem Maria fiel e Imaculada

A Igreja universal celebra hoje com a maior alegria a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria. Esta celebração integra-se perfeitamente no espírito do Advento, porque Maria é o sinal da proximidade de Deus e anuncia-nos que a salvação está próxima.

São Paulo VI na exortação apostólica “Marialis cultus”, disse: “A Liturgia do Advento, conjugando a expectativa messiânica e a outra expectativa da segunda vinda gloriosa de Cristo, com a memória da Mãe, apresenta um equilíbrio de culto muito acertado, a fim de impedir quaisquer tendências para separar, como algumas vezes aconteceu em certas formas de piedade popular, o culto da Virgem Maria do seu necessário ponto de referência: Cristo. Além disso, faz com que este período deva ser considerado como um tempo particularmente adequado para o culto da Mãe do Senhor e o tempo do Natal se constitua numa memória da Maternidade divina, virginal e salvífica daquela cuja virgindade deu a este mundo o Salvador”. Ao longo dos anos se confirma a validade e veracidade de suas afirmações magistrais.

Maria acompanha-nos neste caminho rumo ao Natal, porque nos ensina a viver este tempo do Advento à espera do Senhor. Porque este tempo é uma alegre espera do Senhor, que nos visitará. Por isso, no inicio do Advento, nosso olhar comovido se volta para a beleza da Mãe de Jesus. Com alegria a Igreja contempla-a como a “Cheia de graça!” Assim Deus a contemplou e “sonhou” com Maria desde toda eternidade, adornando-a com todas as qualidades, dons e graças.

A liturgia apresenta duas mulheres, uma criada a imagem e semelhança de Deus, outra concebida sem pecado para ser a Mãe de Deus. As duas têm que responder na liberdade à Palavra de Deus, Eva e Maria tem de responder livremente ao amor de Deus que experimentam ao escutá-lo em seu coração. Enquanto Eva ignora a voz do Senhor, desobedece e se deixa enganar pelo maligno (cf. Gn 3,9-15.20), Maria escuta na fidelidade e obediência, declarando-se a “serva do Senhor”, naquele diálogo mantido com o anjo que lhe anuncia sua futura maternidade (cf. Lc 1,26-38).

O relato do Gênesis nos transporta simbolicamente aos primitivos tempos da criação, nos quais já se anuncia o Amor de Deus, que será motor para o envio do Messias salvador da humanidade.  O ser humano, criado a imagem e semelhança de Deus, usando sua liberdade, foi introduzindo desordens e erros, desde a origem, com muitos desvios de geração em geração. Na plenitude dos tempos, através dos séculos, de diferentes maneiras e modos Deus revelou seu amor, e a humanidade reconhece paulatinamente gravado no seu coração na Lei de Moisés, através dos profetas, juízes ou sacerdotes intérpretes da revelação, até que chega o Messias.

A teimosia do povo judeu, escolhido por Deus para ser seu Senhor se manterá com esperança, por um lado, pela vinda de um Messias libertador, e por outro se mantém sem reconhecer sua presença quando Ele chega, por sua independência da religiosidade oficial, com o nascimento de Jesus o filho do carpinteiro de Nazaré, esposo da Virgem Maria.

O Evangelho de São Lucas apresenta-nos Maria, uma jovem de Nazaré, pequeno povoado da Galiléia, periferia de Israel e do império romano. No entanto, sobre ela pousou o olhar de Deus, que a escolheu para ser a Mãe do seu Filho. Ela, a mulher Cheia de graça foi preservada do pecado original, ou seja, sem desordens afetivas nem efetivas em sua liberdade cotidiana, algo que será totalmente compatível com limitações e dores, tanto orgânicas como psicológicas inerentes a sua condição humana. Preservada daquela ruptura na comunhão com Deus, com os outros e com a criação que fere cada ser humano em profundidade.

“O mistério desta jovem de Nazaré, que se encontra no coração de Deus, não nos é alheio. Não significa que ela está lá e nós aqui. Nós estamos unidos. Com efeito, Deus pousa o seu olhar de amor sobre cada homem e mulher! Com um nome e um sobrenome. O seu olhar de amor está sobre cada um de nós. O Apóstolo Paulo afirma que Deus “nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis” (Ef 1,4). Também nós, desde sempre, fomos escolhidos por Deus para levar uma vida santa, livre do pecado. É um desígnio de amor que Deus renova cada vez que nós o frequentamos, especialmente nos sacramentos.” (Papa Francisco)

A festa da Imaculada se centra no anuncio do mistério da Encarnação do Filho de Deus. Maria se converte assim na porta através da qual Deus mesmo entra no mundo com figura humana, feito homem. É porta, e também, a primeira discípula de Jesus em sua etapa terrena, como mediadora e correndentora permanente. Sua fidelidade de discípula no Reino de Deus supera suas ações biológicas de mãe, igualmente necessárias nos misteriosos planos salvíficos e eternos…

Em nossos dias, Maria segue presente na Igreja, assembleia dos filhos e filhas de Deus, que associam seus esforços para descobrir fielmente a vontade amorosa do Pai. Serão os discípulos que agradecem o amor misericordioso oferecido a cada um deles que percorrem o caminho terrenal, se encontram em dores e alegrias e esperam aprender dela a servir a Deus, presente no próximo, com atitudes de humilde amor compassivo e fraterno.

Como a Estrela que nos guia pelo céu escuro das expectativas e incertezas humanas, sobre o fundo da Liturgia do Advento, brilha esta solenidade da Imaculada Conceição e te contemplamos Maria, Cheia de graça, como a porta aberta através da qual deve vir o Redentor do mundo. Maria representa a nós todos, dando “sim” à chegada de Jesus e à ação do Espírito. Somos chamados a continuar repetindo esse sim, estando a serviço do Plano de Deus e do Reino do seu Filho Jesus.

Pe. José Assis Pereira Soares
Pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus 

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