A violência embrutece

A violência crescente acorda dentro de cada um os sentimentos mais diferentes. Diariamente todos sofrem o impacto dos crimes e acidentes de todos os tipos, noticiados através dos meios de comunicação e ninguém está blindado em não sofrer seus efeitos. Todo fato social gera impacto no conjunto da sociedade. Não há como ser diferente. Tudo repercute sobre todos. A ação de um indivíduo é de certo modo a ação do todo da humanidade. O ser humano é interdependente.

A violência e sua divulgação através dos meios de comunicação social repercutem em cada um, fazendo aflorar medo, insegurança, insensibilidade, fechamento, endurecimento do coração e aquela sensação de que essas tragédias humanas são “quase que normais” e fazem parte do tecido da história. O perigo está em se acostumar com a violência e pensar que ela é a lei que rege a sobrevivência humana: lutar e vencer, não importando os danos que se possa fazer ao outro. Acolher o mundo da violência como sendo normal se
configura como a pior das tragédias. A banalização do mal está levando as pessoas a enfrentá-lo com naturalidade, a ponto de concebê-lo sem indignação. Como é danoso este modo de ver!

Aprendi que violência gera violência e que a Lei de Talião, “dente por dente, olho por olho”, não é a solução. Toda vez que se combate o mal com o mal, a maldade se propaga e se estabelece um círculo vicioso que só cresce. Num ambiente assim, o resultado é sempre negativo. É uma onda de energia que transforma o homem, deixando-o pior, embrutecido, cheio de sentimentos contraditórios de ódio, vingança e necessidade de fazer justiça com as próprias mãos. Assim, a estatística dos crimes só pode aumentar.

A sociedade brasileira sofre penosamente com uma legislação viciada e com o descrédito dos poderes, que lutam entre si e não cumprem de modo satisfatório suas funções constitucionais. Ora, a fraqueza dos poderes dá força aos grupos organizados, que procuram tirar proveito da situação. Ir às ruas, expressar sua indignação, mostrar sua cara e gritar é direito do povo. No entanto, quem age com violência
perde o direito, até mesmo a polícia.

Tantos perguntam: meu Deus, onde tudo isso vai parar? Para quem entra na escalada da violência é fácil perceber onde vai parar: na morte violenta. No entanto, quem procura viver na paz, na concórdia, agindo sempre de forma positiva, combatendo o mal com o bem, adotando o estilo de Jesus Cristo, de Gandhi e de tantos outros, vai poder construir um mundo melhor de paz e desfrutar da alegria de
uma vida nova.* Bispo Diocesano de Campina Grande.

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