II Dia Mundial dos Pobres

No próximo 18 de novembro, XXXIII domingo do tempo comum, nossa Igreja celebra o II Dia Mundial dos Pobres.

Trata-se de uma feliz intuição do papa Francisco, que assim o apresentou:

“À luz do «Jubileu das Pessoas Excluídas Socialmente», celebrado quando já se iam fechando as Portas da Misericórdia em todas as catedrais e santuários do mundo, intuí que, como mais um sinal concreto deste Ano Santo extraordinário, se deve celebrar em toda a Igreja, na ocorrência do XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Dia Mundial dos Pobres. Será a mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, que se identificou com os pequenos e os pobres e nos há de julgar sobre as obras de misericórdia (cf. Mt 25, 31-46). Será um Dia que vai ajudar as comunidades e cada batizado a refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho e tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa (cf. Lc 16, 19-21). Além disso este Dia constituirá uma forma genuína de nova evangelização (cf. Mt 11, 5), procurando renovar o rosto da Igreja na sua perene ação de conversão pastoral para ser testemunha da misericórdia.” (Misericordia et misera, 21).

Por que um dia dos pobres?

Papa Francisco quer nos ajudar com isso a retomar, com maior entusiasmo, um aspecto “tradicional” da proposta cristã, que afunda as suas raízes na tradição bíblica: a atenção privilegiada aos mais pobres.

Por que os pobres? São melhores do que os outros? Não. São mais santos do que os outros? Não. Simplesmente por que são pobres, necessitados. E Deus é o Pai que cuida com maior carinho de quem mais precisa.

Não me parece desnecessário repetir isso e motivar tal afirmação diante de teorias, passadas e atuais, fora da Igreja, mas também dentro dela, que interpretam o compromisso em relação aos pobres como fruto de ideologias e então por si mesmo negativo e tachado, às vezes, com uma palavra que parece ter voltado de moda ultimamente: “comunismo”.

Permitam-me então um breve olhar histórico necessário para fundamentar nas Escrituras Sagradas e na experiência do Povo de Deus sua atenção privilegiada para com os pobres.

O ANTIGO TESTAMENTO

Os pobres na Bíblia ocupam um lugar de destaque. Enquanto a história profana quase sempre os ignora e se limita a falar deles somente nas raras ocasiões em que eles se tornam protagonistas com rebeliões, revoltas, revoluções, a Sagrada Escritura trata do problema da pobreza de forma constante. É incontestável que essa categoria de pessoas atira a atenção dos legisladores, dos profetas e dos salmistas. O povo de Deus nasceu na pobreza: no deserto experimentou um estado de extrema penúria: fome, sede, insegurança. A libertação da escravidão é apresentada como superação da pobreza, da necessidade. (Deut 8,7-10).

Por causa dessa experiência de pobreza extrema o povo, uma vez chegado à terra prometida, não deverá esquecer os que ainda vivem em tal situação. “Deus faz justiça ao órfão, e à viúva e ama o imigrante dando-lhe pão e roupa. Portanto amem o imigrante porque vocês também foram imigrantes no Egito” (Dt 10, 19).

Mesmo na situação de liberdade Israel deve reconhecer que a pobreza não foi totalmente derrotada e que frequentemente a situação de necessidade de tantas pessoas é consequência da injustiça e da avidez dos poderosos, os quais desnudam e reduzem à miséria os irmãos. A esta altura o legislador, diante do agravar-se de situações injustas e iníquas cria leis e institui o Jubileu e o ano sabático, depois de ter condenado o aproveitamento dos pobres e as injustiças sociais. Em particular a lei de Moisés exige a justiça em favor dos humildes e indefesos.

Depois do legislador, vêm os profetas. A situação de injustiça social, por causa da qual também dentro do povo de Israel os bens e as riquezas se encontram nas mãos de poucos, enquanto a grande massa do povo vive em miséria e na indigência, suscitou a indignação e a ira de homens carismáticos animados pelo Espírito de Deus, os profetas. Na pregação profética, as desigualdades sociais muito marcadas e escandalosas quebram a solidariedade sagrada do povo de Deus e violam a justiça. Como exemplo cito o primeiro grande profeta escritor que ameaçou tremendos castigos divinos sobre os injustos ricos proprietários de Israel. Com linguagem rude Amós fustiga os vícios de quantos oprimem os pobres. Falando em nome de Deus, acusa os poderosos de ter vendido o pobre por um punhado de moedas, comparando-o com um par de sandálias e ter esmagado na poeira do chão a cabeça dos miseráveis depois de tê-los despojados de tudo. São textos conhecidos que ouvimos também na liturgia.

Suas mulheres, chamada com desprezo de “vacas de Basan” não perdem pelos maridos no oprimir os pobres, vivem no luxo desenfreado e nas farras pisoteando a justiça mais elementar, oprimem os pobres e os humildes, enganam, defraudam. Sobre elas Amós ameaça a vingança divina no dia do Senhor. E os outros profetas continuam insistindo na mesma tecla: Oseias. Isaias, Jeremias, Ezequiel, etc. Eles não só condenam as injustiças perpetradas contra os humildes e indefesos, mas também apresentam Deus como o “defensor” e inculcam o dever de aliviar a miséria dos pobres e tornar menos duras as condições de indigências de muitos. (cf. Panimolle in DTB)

JESUS E OS POBRES

Jesus viveu num tempo de muitos conflitos, num país em que as tensões sociais eram muito fortes: reinava fome, miséria, doença, os que possuíam bens não se importavam com a pobreza dos irmãos.

Nos relatos do Novo Testamento encontramos não somente exortações calorosas a socorrer os necessitados, mas nos são apresentados modelos extraordinários de caridade em relação aos humildes e pobres. A justiça do evangelho exige o exercício da esmola, mesmo se com um novo estilo. Ao seguidor que deseja ser perfeito Jesus propõe a venda dos bens para distribuí-los aos pobres. Ao mesmo tempo, condena quem fecha o coração aos pobres e miseráveis: a parábola do Rico e de Lázaro ilustra com rara eficácia tal ensinamento e aparece muito estimulante para criar uma nova sensibilidade em favor dos pobres. A parábola do bom samaritano mostra como precisa comportar-se com o indefeso, oprimido e reduzido à beira da morte. Zaqueu é apontado como um verdadeiro convertido às exigências do evangelho porque declara não somente de querer reparar as injustiças cometidas devolvendo o quádruplo, mas de empenhar-se a distribuir metade dos seus bens aos pobres. (cf. Panimolle in DTB)

Gostaria de lembrar aqui algumas interessantes atitudes de Jesus em relação aos pobres:

  1. Jesus escolhe viver no meio dos pobres:

Desde o seu nascimento e a sua vida em Nazaré. Nos três anos de vida pública Jesus viveu a maior parte do tempo com os pobres e os excluídos, aqueles que não tinham um lugar. Foi conhecido como amigo dos publicanos e dos pecadores. Acolhia aqueles que todos rejeitavam: os que “não valiam nada”, fracos, pobres sem poder nenhum, doentes, mulheres, crianças, excluídos.

Jesus falava com todos sem excluir ninguém, porém falava colocando-se no meio dos pobres e dos marginalizados. Por causa desta atitude Jesus entrou em conflito com as lideranças da sociedade: fariseus, escribas, saduceus, herodianos, romanos: este conflito o levou à cruz.

  1. Jesus luta para aliviar o sofrimento dos pobres:

Por isso nos três anos de vida pública Jesus enfrenta e combate contra a fome, a doença, a ignorância, o abandono, o desprezo, a exclusão. As narrações do evangelho relatam dias em que Jesus não faz outra coisa a não ser cuidar de toda a multidão de doentes que eram a ele levados e curá-los. Jesus não é omisso. Quer ser sinal do amor eficaz do Pai para com as pessoas que sofrem. Procura dar uma resposta às necessidades de cada um: o cego de nascença que vive de esmola, o aleijado que não tem ninguém que o ajude a entrar na piscina, a mulher desenganada pelos médicos, os leprosos excluídos da sociedade, a multidão faminta…

  1. Jesus apresenta alguns pobres e excluídos como modelo para todos:

A esmola da pobre viúva “Ela deu mais do que todos”), a mulher Cananeia (“mulher, é grande a tua fé”) o bom samaritano (Vá e faça você também a mesma coisa”), a oração do publicano (“este ultimo voltou para casa justificado, o outro não)…

  1. Finalmente Jesus vai além disso, a ponto de identificar-se com os pobres e excluído:

“Pois eu estava com fome e me destes de comer, eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar. […] Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!”.

A IGREJA E OS POBRES

A Igreja, desde os primeiros tempos de sua experiência, sempre deu atenção aos pobres.

Cito um texto do Papa Francisco na sua Mensagem para o 1º Dia mundial dos pobres.

Ele diz: «Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um» (At 2, 45). Esta frase mostra, com clareza, como estava viva nos primeiros cristãos tal preocupação. O evangelista Lucas – o autor sagrado que deu mais espaço à misericórdia do que qualquer outro – não está a fazer retórica, quando descreve a prática da partilha na primeira comunidade. Antes pelo contrário, com a sua narração, pretende falar aos fiéis de todas as gerações (e, por conseguinte, também à nossa), procurando sustentá-los no seu testemunho e incentivá-los à ação concreta a favor dos mais necessitados. E o mesmo ensinamento é dado, com igual convicção, pelo apóstolo Tiago, usando expressões fortes e incisivas na sua Carta: «Ouvi, meus amados irmãos: porventura não escolheu Deus os pobres segundo o mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que O amam? Mas vós desonrais o pobre. Porventura não são os ricos que vos oprimem e vos arrastam aos tribunais? (…) De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta» (2, 5-6.14-17).

 Ainda na época apostólica a Igreja chegou a instituir um ministério específico para o serviço das mesas, a distribuição do “sopão”, como é bem relatado em Atos 6. E quando tal ministério é oficializado na figura dos diáconos, esses tornam-se os braços do bispo para ajudar os pobres. Lembremos o testemunho do diácono Lourenço que, instado a apresentar os bens da Igreja ao imperador, apresentou os pobres a quem servia dizendo: “eis os tesouros da Igreja”. Palavras que revelam bem como a Igreja do tempo pensava.

Muitos dos antigos padres da Igreja refletiram sobre isso e nos deixaram testemunhos impressionantes. Cito somente um deles, São João Crisostomo (séc. IV) que afirmava:

“Queres honrar o Corpo de Cristo? Então não O desprezes nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres no templo com vestes de seda, enquanto O abandonas lá fora ao frio e à nudez. Aquele que disse: «Isto é o Meu Corpo» (Mt 26, 26), e o realizou ao dizê-lo, é o mesmo que disse: «Porque tive fome e não Me destes de comer» (cf. Mt 25, 35); e também: «Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a Mim que o deixastes de fazer» (Mt 25, 42.45). Aqui, o corpo de Cristo não necessita de vestes, mas de almas puras; além, necessita de muitos desvelos. […] Deus não precisa de vasos de ouro, mas de almas que sejam de ouro.

Não vos digo isto para vos impedir de fazer doações religiosas, mas defendo que simultaneamente, e mesmo antes, se deve dar esmola. […] Que proveito resulta de a mesa de Cristo estar coberta de taças de ouro, se Ele morre de fome na pessoa dos pobres? Sacia primeiro o faminto, e depois adornarás o Seu altar com o que sobrar. Fazes um cálice de ouro e não dás «um copo de água fresca»? (Mt 10, 42). […] Pensa que se trata de Cristo, que é Ele que parte errante, estrangeiro, sem abrigo; e tu, que não O acolheste, ornamentas a calçada, as paredes e os capitéis das colunas, prendes com correntes de prata as lâmpadas, e a Ele, que está preso com grilhões no cárcere, nem sequer vais visitá-Lo? […] Não te digo isto para te impedir de tal generosidade, mas exorto-te a que a acompanhes ou a faças preceder de outros atos de beneficência. […] Por conseguinte, enquanto adornas a casa do Senhor, não deixes o teu irmão na miséria, pois ele é um templo e de todos o mais precioso”.

(Homílias sobre o Evangelho de Mateus, n°50, 3-4 – Ofício das leituras – sábado da XXI semana do tempo comum)

E quando, em tempos sombrios, a própria hierarquia da Igreja parecia estar mais interessada no poder e na riqueza do que no bem dos necessitados, Deus suscitou figuras extraordinárias de santos que lutaram para que a Igreja voltasse a cuidar, com generosidade, dos pobres. Cito como exemplo são Francisco de Assis: para que a Igreja não esquecesse a pobreza ele escolheu não só ajudar os pobres, mas fazer-se ele mesmo pobre.

Na Regra de 1221, irmão Francisco convida todos os irmãos a seguir a humildade e a pobreza de nosso Senhor Jesus Cristo, e enfatiza: “não precisamos de mais nada, a não ser comida, e uma roupa para nos cobrir e somos satisfeitos com isso”. A finalidade é a imitação de Jesus e a possibilidade de estar próximos dos pobres, e até dos últimos entre eles: “Os frades devem alegrar-se quando vivem entre pessoas que pouco valem e desprezadas, entre os pobres e fracos, enfermos, leprosos e mendigos”.

Nos séculos seguintes, o testemunho da Igreja missionária e samaritana continua nessa mesma direção.

Diante de muitas situações de pobreza e aflição a tradição cristã tinha elaborado um conjunto de recomendações concretas para o relacionamento com os outros, na base dos ensinamentos de Jesus. São o que chamamos de Obras de misericórdia, entre as quais: dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os que não têm roupa, visitar os doentes, visitar os encarcerados, acolher os peregrinos.

As obras de misericórdia, além de ser praticadas em nível individual sempre inspiraram instituições eclesiais: hospitais, lugares de acolhida, centros de distribuição de alimentos, apostolado nas cadeias.: Em função delas nasceram também muitas congregações religiosas masculinas e femininas e muitas instituições de caridade, leprosários, orfanatos, as “rodas dos enjeitados” ….

São Vicente de Paulo, São Camillo de Lellis, São João de Deus, e, mais próximos a nós Madre Tereza, Irmã Dulce, para citar somente alguns nomes.

Ao mesmo tempo crescia na Igreja a consciência de que não bastava ajudar os pobres, mas precisava ao mesmo tempo combater as causas da pobreza.

Esclarecedora a afirmação do Concilio Vaticano II no documento sobre o apostolado dos leigos:

“Para que este exercício da caridade seja e apareça acima de toda a suspeita, considere-se no próximo a imagem de Deus, para o qual foi criado, veja-se nele a Cristo, a quem realmente se oferece tudo o que ao indigente se dá; atenda-se com grande delicadeza à liberdade e dignidade da pessoa que recebe o auxílio; não se deixe manchar a pureza de intenção com qualquer busca do próprio interesse ou desejo de domínios; satisfaçam-se antes de mais as exigências da justiça, nem se ofereça como dom da caridade aquilo que já é devido a título de justiça; suprimam-se as causas dos males, e não apenas os seus efeitos; e de tal modo se preste a ajuda que os que a recebem se libertem a pouco e pouco da dependência alheia e se bastem a si mesmos”. (AA, 8)

E isso começou a criar dificuldades. Lembremos as palavras de Dom Helder: “Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por que eles são pobres, chamam-me de comunista”.

Numa importante Conferencia do episcopado da America Latina, em Puebla” (1979) assim são apresentados os pobres:

“Esta situação de extrema pobreza generalizada adquire, na vida real, feições  concretíssimas, nas quais deveríamos reconhecer as feições sofredoras de Cristo, o Senhor que nos questiona e interpela:

– Feições de crianças golpeadas pela pobreza ainda antes de nascer.

– Feições de jovens desorientados por não encontrarem seu lugar na sociedade.

– Feições de indígenas e de afro que vivem segregados e em situações desumanas.

– Feições de camponeses que vivem sem terra, em situação de dependência.

– Feições de operários mal remunerados e que tem dificuldades de se organizar e defender seus direitos.

– Feições de desempregados, despedidos pelas duras exigências das crises econômicas.

– Feições de marginalizados e amontoados das nossas cidades.

– Feições de anciãos, postos à margem da sociedade, que prescinde das pessoas que não produzem.

Compartilhamos com nosso povo de outras angústias que brotam da falta de respeito à sua dignidade de ser humano, “imagem e semelhança” do Criador e a seus direitos inalienáveis de filhos de Deus”.

(Doc. de Puebla, 31-39)

E, algumas décadas depois, o documento de Aparecida (2007) acrescenta as pessoas que vivem na rua nas grandes cidades, migrantes, enfermos, dependentes de drogas, detidos em prisões. (Doc. Ap. 407-430)

A proposta de Papa Francisco

Papa Francisco, herdeiro dessa longa e rica história quer reforçar o compromisso da Igreja com os pobres.

Ele mesmo contou um episodio interessante: “Na eleição, eu tinha ao meu lado o arcebispo emérito de São Paulo, um grande amigo. Quando a coisa começou a ficar um pouco ‘perigosa’, ele começou a me tranquilizar. E quando os votos chegaram a 2/3, aconteceu o aplauso esperado pois, afinal, havia sido eleito Papa. Ele me abraçou, me beijou e disse: ‘não se esqueça dos pobres’.”

Papa Francisco afirmou logo no início do seu serviço: “Num mundo dilacerado pela lógica do lucro que produz novas pobrezas e gera a cultura do descarte, não desisto de invocar a graça de uma Igreja pobre e para os pobres”…

“Efetivamente, os pobres nos recordam o essencial da vida cristã”,

“Por isso, vamos ao encontro dos pobres, não porque já sabemos que o pobre é Jesus, mas para descobrir novamente que aquele pobre é Jesus.”

È dentro desse contexto que nasce o Dia Mundial dos pobres que chega este ano à segunda edição.

O II DIA MUNDIAL DOS POBRES (18 de novembro de 2018)

O versículo do salmo escolhido como tema do 2º Dia Mundial dos pobres “Este pobre clama e o Senhor o escuta” (Sl 34,7) nos provoca a confrontar-nos “com as mais variadas condições de sofrimento e marginalização em que vivem tantos irmãos e irmãs, que nos habituamos a designar com o termo genérico de pobres”. “Hoje este salmo permite-nos também a nós, rodeados por tantas formas de pobreza, compreender quem são os verdadeiros pobres, para os quais somos chamados a dirigir o olhar a fim de escutar o seu clamor e reconhecer as suas necessidades”.

E aqui vou citando livremente muitos textos da mensagem do Papa Francisco para este dia. (Os mais interessados poderão procurar o texto completo e meditá-lo). O documento realça três verbos:

O primeiro “clamar”.

“A condição de pobreza não se esgota numa palavra, mas torna-se um brado que atravessa os céus e chega a Deus. Que exprime o brado dos pobres senão o seu sofrimento e solidão, a sua desilusão e esperança? Podemos interrogar-nos: como é possível quie este bbrado que atravessa os céus e chega a Deus não consiga chegar aos nossos ouvidos e nos deixe indiferentes e impassíveis?”

O segundo “responder”.

“O Senhor não só escuta o clamor dos pobres, mas também responde. […] A resposta de Deus ao pobre é sempre uma intervenção salvadora para cuidar das feridas da alma e do corpo, repor a justiça e retomar a vida com dignidade. A resposta de Deus é também um apelo para que toda pessoa que acredita nEle possa, dentro dos limites humanos fazer o mesmo”.

O dia Mundial dos Pobres pretende ser uma pequena resposta, dirigida pela Igreja inteira dispersa por todo o mundo, aos pobres de todo gênero e de todo lugar a fim de não pensarem que o seu clamor caia no chão (em saco furado). Provavelmente é como uma gota d’água no deserto da pobreza: e, contudo, pode ser um sinal de solidariedade para quantos passam necessidade a fim de sentirem a presença ativa de um irmão ou uma irmã. Não é de um ato de delegação que os pobres precisam, mas do envolvimento pessoal de quantos escutam o seu brado. A solicitude dos que creem não pode limitar-se a uma forma de assistência – embora necessária e providencial num primeiro momento, mas requer aquela atenção amiga que aprecia o outro como pessoa e procura o seu bem.”

O terceiro “libertar”.

“O pobre da Bíblia vive com a certeza de que Deus intervém em seu favor para lhe devolver dignidade. A pobreza não é procurada, mas criada pelo egoísmo, a soberba, a avidez e a injustiça: males tão antigos como o homem, mas sempre pecados são, acabando enredados neles tantos inocentes com dramáticas consequências sociais. A ação libertadora do Senhor é um ato de salvação em prol de quantos Lhe manifestaram a sua aflição e angústia. As amarras da pobreza são quebradas pelo poder da intervenção de Deus. […] A salvação de Deus toma a forma duma mão estendida ao pobre, que oferece acolhimento, protege e permite sentir a amizade de que necessita. É a partir desta proximidade concreta e palpável que tem início um genuíno percurso de libertação: «Cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus ao serviço da libertação e promoção dos pobres, para que possam integrar-se plenamente na sociedade; isto supõe estar docilmente atentos, para ouvir o clamor do pobre e socorrê-lo» (Evangelii gaudium, 187).

Vou concluindo com palavras do Papa Francisco:

Neste dia Mundial somos convidados a tornar concretas as palavras do salmo: “Os pobres comerão e serão saciados” (Sl 22,27).

“Inúmeras são as iniciativas que a comunidade cristã empreende para dar um sinal de proximidade e alívio às muitas formas de pobreza que estão diante dos nossos olhos. Reconheçamos humildemente que é o Espírito quem suscita gestos que sejam sinal da resposta e da proximidade de Deus. Quando encontramos o modo para nos aproximar dos pobres, saibamos que a primazia compete a Ele que abriu os nossos olhos e o nosso coração à conversão. […] Os verdadeiros protagonistas são o Senhor e os pobres. Quem se coloca a serviço é instrumento nas mãos de Deus, para fazer reconhecer a sua presença e a sua salvação”.

“Convido os irmãos bispos, os sacerdotes e de modo particular os diáconos, a quem foram impostas as mãos para o serviço dos pobres (cf. At 6, 1-7), juntamente com as pessoas consagradas e tantos leigos e leigas que, nas paróquias, associações e movimentos, tornam palpável a resposta da Igreja ao clamor dos pobres, a viver este Dia Mundial como um momento privilegiado de nova evangelização. Os pobres evangelizam-nos, ajudando-nos a descobrir cada dia a beleza do Evangelho. Não deixemos cair por terra esta oportunidade de graça. Neste dia, sintamo-nos todos devedores para com eles, a fim de que, estendendo reciprocamente as mãos uns para os outros, se realize o encontro de salvação que sustenta a fé, torna concreta a caridade e habilita a esperança a prosseguir segura no caminho rumo ao Senhor que vem”.

Que assim seja.

Campina Grande, 06 de novembro de 2018.

Dom Egidio Bisol

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