Homilia Fervorosa sem Mundanidade

Ao ministro pregador da Palavra Divina compete a faculdade de interpretar o mistério de Deus, anunciado na vida das pessoas e da comunidade reunida na fé para a celebração da Santa Eucaristia, conforme a perene tradição da Mãe Igreja. Na homilia não se recorre simplesmente às técnicas do auditório, dizendo o que é conveniente e sedutor aos ouvidos; mas, comunica-se algo capaz de trespassar o mais profundo do mistério humano, porque é uma Palavra viva e eficaz, que como uma “espada, penetra até a divisão da alma e do corpo, das articulações e das medulas, e discerne os sentimentos e intenções do coração” (Hb 4,12)

O Concílio Vaticano II na Sacrosanctum Concilium “recomenda vivamente a homilia, como parte da própria liturgia; nela, no decurso do ano litúrgico, são apresentados no texto sagrado, os mistérios da fé e as normas da vida cristã” (SC, 52). O Papa Francisco em sua Exortação Apostólica Evangelli Gaudium nos ensina que “a homilia não pode ser um espetáculo de divertimento, não corresponde à lógica dos recursos midiáticos, mas deve dar fervor e significado à celebração” (EG, 138). Compreendemos deste modo que o pregador cristão não deve confundir-se com um propagandista, um falador de si mesmo e de suas próprias opiniões. Ele deve sempre falar em nome de Jesus Cristo e da Igreja, iluminando o coração dos fiéis, com o “tom caloroso de sua voz, a mansidão do estilo de suas frases, a alegria dos seus gestos” (EG,140).

A homilia não é proferida para a “descontração” ou para o “relaxamento”; mas, para acender no coração dos filhos de Deus a chama da fé e o amor pelas virtudes, na busca sincera da conversão por uma vida justa e santa. Uma boa homilia é aquela que suscita a fé e a obediência a Deus, é aquela que desperta o desejo para fazer o bem e perseverar na graça do batismo. Evidentemente, uma eficiente e adequada comunicação, uma didática oportuna para explicitar o conteúdo da mensagem será sempre importante e necessária, o que não significa, no entanto, tornar a homilia um show de amenidades. Se a homilia reduzir-se a uma mensagem light e divertida, estará de certo modo, correspondendo aos apelos de um mundo consumista e frívolo que não escuta mais a Deus, mas escuta a si mesmo, aos seus apetites e caprichos.

A homilia na sua função própria, deve ser o espaço da Palavra de Deus que ilumina, converte e salva. A homilia nos dá o frescor, o bom perfume de Cristo, precisamente aquilo que o mundo caduco e cansado não possui; aquilo que os faladores de plantão não conhecem nem experimentam, porque se instalam na superficialidade, no barulho  e no vazio. Na homilia devemos esperar a fala de alguém que, diferentemente das vozes confusas e dispersas deste mundo, apresenta-nos Deus e sua ação prodigiosa na vida humana!

Pe. Luciano Guedes do Nascimento Silva

Pároco da Catedral e Vigário Geral

 

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