Como os magos, encontremos Jesus

Epifania é o outro nome que recebe o Natal, é o nome que lhe deram as Igrejas Orientais. Se no Natal, festa de origem latina, contemplamos a Deus que nasceu em Belém, este pequeno menino envolto em panos e deitado na manjedoura; aparição de Deus na carne humana, manifestação da glória de Deus. Parece algo inverossímil: que o poder e a glória de Deus, Criador de tudo e senhor do mundo, se manifeste na fragilidade de uma criança recém-nascida. É, sem duvida assim como Deus atua, e assim acreditaram aqueles sábios vindos do Oriente, que reconheceram naquele Menino o mesmo Deus feito homem.

Nesse Menino indefeso nascido para nossa salvação, vemos o poder de Deus que vem salvar-nos mediante sua entrega por amor a nós. “Deus amou tanto o mundo que enviou o seu próprio filho, nascido de mulher.” Esta é a manifestação do nosso Deus.

Epifania significa manifestação e segue a ideia de iluminação. Deus se manifesta a todos os povos da terra. Hoje o anuncia o profeta Isaías (cf. 60,1-6): “levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está a terra envolvida em trevas e nuvens escuras cobrem os povos, mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora.” (vv. 1-3)

Isaías, profeta da esperança, descreve situações cheias de luz e de esplendor, que prefiguram o triunfo definitivo do Messias, o menino Deus. Essa luz que aparece em Jerusalém alcançará todas as nações da terra.

O Apóstolo Paulo nos diz na carta aos efésios (cf. Ef 3,2-3a.5-6) que também os não judeus, aqueles que não pertencem ao povo de Israel, são coerdeiros, recebem a mesma herança que os Judeus, a salvação que Deus trouxe em seu nascimento. E é este o mistério que também se celebra na Festa da Epifania: Cristo igualmente Salvador de pagãos e judeus.

A metáfora bíblica desta festa é a luz, a estrela dos magos que vêm do Oriente. A estrela de Deus quer iluminar a toda pessoa que vem a este mundo. Jesus não foi então só dos judeus, como agora não é só dos católicos. A luz do Evangelho é uma luz universal, católica; o sol de Jesus sai a cada manhã sobre bons e maus, indistintamente. A Epifania é igualmente a festa da universalidade da Igreja de Cristo. Sua manifestação ao mundo inteiro.

Jesus nasce em Belém para toda a humanidade, para os de perto e para os de longe, para os judeus e para os gentios, para os pastores e para os magos do Oriente. Não há acepção de pessoas. Na noite de Natal Jesus manifestou-se aos pastores, homens pobres e desprezados, foram eles os primeiros que levaram um pouco de conforto àquela gruta fria de Belém. Assim se cumpre o que o profeta Isaías havia anunciado: “Os pobres são evangelizados”. Hoje chegam os Magos, vindos de terras distantes, também eles atraídos misteriosamente por aquele Menino. Pastores e Magos nos ensinam que para encontrar Jesus é necessário olhar para o céu, ver uma estrela, uma luz e interpretar esse sinal, essa mensagem de Deus.

O elemento simbólico que aparece tanto no Evangelho (cf. Mt 2,1-12) como na profecia de Isaías (cf. Is 60,1-6) é a luz, fundamental para a comemoração cristã do Natal. Mateus usou o mesmo simbolismo da luz em sua história do caminho percorrido e da adoração dos Magos. Eles seguem a “luz da estrela que tinham visto no Oriente”, são os pioneiros dentre os povos gentios a acorrer ao encontro do Messias.

Este Menino que nos nasce é a Luz, confiando nele, em sua Palavra poderemos construir um novo mundo ou uma nova vida, a partir de premissas novas que nos ajudam a conviver e a nos relacionar de maneira mais fraterna, generosa e solidária. Deus, sua Palavra, seu Evangelho, são essa Luz que vem iluminar nossas escuridões.

Necessitamos dessa luz, necessitamos de Deus e de sua Palavra em nossas vidas. E esse Deus que nasce em um presépio, vem especialmente aos que vivem excluídos da fé, vem aos pagãos, vem aos que estão longe. Deus se manifesta ao mundo como Luz, para que todos o encontrem e se encontrem, para que nada siga vivendo às escuras.

A Igreja, como nos recorda insistentemente o Papa Francisco tem que estar a caminho, “estar em saída”. A tarefa essencial da Igreja é trabalhar para levar Cristo a todos aqueles que não o conhecem. Com palavras prementes na exortação apostólica “Evangelii Gaudim” (Alegria do Evangelho) o Papa nos convida a inaugurar “uma nova etapa evangelizadora marcada pela alegria”. Os Magos, diz o evangelho, “ao ver a estrela, sentiram uma grande alegria.” (v. 10) “Temos que sair” de nossas fronteiras e de nossas inércias para, guiados por esta Luz que é o Evangelho levemos a alegria do Evangelho a nossos irmãos e irmãs, que ainda não o conhecem, guiados pela luz que é o próprio Cristo.

A Igreja deseja que todos os povos da terra possam encontrar Jesus, fazer a experiência do seu amor misericordioso, que todos encontremos a misericórdia e o amor de Jesus.

Somos convidados a fazermos de novo o caminho dos Magos, como se não soubéssemos ainda “onde” está o Salvador. Enfrentando as noites da vida e da alma, os desejos e as dúvidas, as esperanças e as incertezas, guiados por uma “estrela”, que aparece e desaparece ela nos levará ao presépio. Ali dobremos os joelhos e adoremos ao Menino Deus. Dali, certamente nos converteremos em estrelas, em luz, que guie outros a Belém, até o presépio, para que Deus seja a Boa Notícia para todos, especialmente para os que estejam passando pelo pior.

Façamos possível que esta Luz chegue também aos de casa, e como comunidade cristã, sejamos também uma Luz que guie aos que nos rodeiam e que lhes ajude a sair da obscuridade.

Somos cada um de nós os que temos que decidir em cada momento se queremos, ou não, deixarmo-nos iluminar pela luz de Cristo. Sem distinção de línguas, raças, sexos ou economias.

Neste dia da Epifania alarguemos nosso coração cristão, para que possam caber nele todas as pessoas de boa vontade. Todos somos potencialmente coerdeiros de Cristo. Não recortemos, com atitudes exclusivistas, xenófobas, discriminatórias as asas universais da Igreja católica de Cristo.

Digamos hoje bem vindos a estes magos que, depois de empreender sua aventura, de encontrar e adorar Jesus regressaram a seus respectivos domínios e nos fizeram perceber que, depois de passadas as festas epifânicas, temos de retornar a nossas vidas por caminhos opostos à apatia, à falta de ânimo, o pessimismo ou o cansaço. “Esta experiência dos Magos exorta-nos a não nos contentarmos com a mediocridade, a não ir vivendo, mas procurar o sentido das coisas, a perscrutar com paixão o grande mistério da vida.” (Papa Francisco)

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